Crítica: “Asura: The City of Madness” (2016)

Um dos filmes mais aguardados de 2016 para esse que vos escreve, era Asura: The City of Madness dirigido por Kim Sung-su (The Warrior). O longa marca a quarta colaboração do diretor com o ator Jung Woo-sung e ainda conta com grandes nomes como Hwang Jung-min e Kwak Do-won (ambos trabalharam juntos em O Lamento).

A fim de pagar as despesas médicas de sua esposa diagnosticada com câncer terminal, o detetive Han Do-kyung age fora dos eixos, trabalhando atualmente para o prefeito da cidade de Annam: Park Sung-bae, que é ainda mais corrupto! Park quer impulsionar um contrato de desenvolvimento que transformará as favelas da cidade em moradias modernas e lhe dará milhões no processo. Para fazê-lo, ele está disposto a ir a qualquer extremo, com Han sendo aquele que cuida do “trabalho sujo”.

Embora todo o contexto de policial corrupto que trabalha fazendo o trabalho sujo pra alguém não seja algo novo, já tendo sido abordado em ótimos filmes, ASURA pega esse contexto e o aborda de uma forma um tanto quanto original, expandindo a gama de personagens envolvidos na pilantragem e dando tempo em tela para esses personagens serem desenvolvidos, se aprofundando muito bem em toda uma rede de corrupção existente ao redor de Park Sung-bae.

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A obra é taxada de “Drama criminal de ação”, embora o filme contenha elementos de ação, ele não é uma obra que se enquadre no gênero. Apenas ‘drama criminal’, é algo mais certo para generalizar ASURA. São muitos os momentos com tom dramático e muitos, muitos diálogos, o que poderá frustrar os que estão no clima para uma boa ação, mas isso não significa que ASURA seja um filme parado, longe disso, o diretor Kim Sung-su fez um ótimo trabalho em criar um clima constante de tensão com diálogos afiados entre os personagens. Todas cenas contribuem para o andamento do longa, que tem duração aprox. de 2h 12min.

As sequências de ação são muito bem feitas, mesclando um ótimo trabalho de câmera com a presença modesta de um CGI de ponta. Kim Sung-soo conseguiu criar um universo crível onde ninguém é decente, todos os personagens em tela estão ligados ao submundo do crime de alguma forma. O prefeito de Annam, Park Sung-bae, talvez seja o mais corrupto de todos, o personagem é muito bem retratado pelo sempre ótimo Hwang Jung-min. Um verdadeiro gangster, pois além de suas conexões com o submundo, Park ainda age como um grande líder de um sindicato criminoso.

Infelizmente, grande parte do contexto político-social retratado em ASURA se perde quando apresentado para um público ocidental, que não está a par da situação política da Coreia do Sul, onde polêmicas de corrupção de políticos são constantes, e esses políticos sempre são apoiados pela polícia. Essa situação delicada na Coreia do Sul é retratada de várias formas em vários filmes daquele país (o excelente INSIDE MEN é outro grande filme que aborda esse tema).
Se você prestar atenção aos detalhes e todo o contexto da cidade fictícia de Anaam verá o retrato desse problema social retratado de uma forma bem legal.

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E sobre a violência? Bom, ASURA é um filme violento! O sangue, embora não seja muito constante na primeira metade do filme, sempre que aparece, é de forma visceral. O diretor Kim Sung-su optou por um tom claro na paleta, isso é normal para obras com bastante presença de sangue. Seja por questões estéticas ou até mesmo para se adequar ao tom à se ser expresso no filme. Se no início ou no meio do filme você se perguntar o por quê da escolha da paleta mais clara, uma vez que a violência não é extrema, espere até chegar o clímax. ASURA tem o clímax mais sangrento de 2016!

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Assim como muitos filmes abordados aqui no Oriente Extremo, ASURA não é um filme para todos, violento, sombrio, sujo e com muitos personagens complexos, e seu contexto político-social não só afasta ainda mais o público mainstream como também pode confundir a real mensagem do filme!

Mesmo um entretenimento de nicho aqui no ocidente, é altamente recomendável para todos dispostos a embarcar em uma jornada na cidade fictícia de Annam onde todos são criminosos em potencial!

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Violência: 04/05

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Nota Final: 04/05
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