Um breve olhar nos primeiros dez anos da carreira de HIDEO GOSHA.

Quando estou começando a me adentrar em um novo gênero, nunca começo pelos nomes óbvios e mais conceituados. Então quando comecei a me aprofundar no gênero Samurai não fui direto para os trabalhos do Kurosawa, um dos nomes mais fortes internacionalmente do gênero. Isso me ajuda a criar um solo básico que será útil mais pra frente quando começar a ver os nomes mais famosos do gênero, pois através dessa bagagem do gênero eu posso perceber nas obras mais conceituadas o que as tornaram mundialmente famosas e o motivo do status de revolucionário!
Depois de meses com grandes diretores como Shinoda, Kobayashi, Misume e outros eu finalmente irei começar à ver trabalhos do cineasta mais conceituado no gênero: Akira Kurosawa.
Mas durante minha jornada pelo sólido caminho do Bushido (literalmente ‘caminho do guerreiro’), encontrei um nome que teve um enorme impacto em mim: Hideo Gosha! 
Eu cobri os dez primeiros anos da carreira desse cineasta que atuou entre 64 e 92, com 23 trabalhos no currículo, tive contato com os 10 primeiros filmes dele (Feitos entre 64 e 74).

Três Samurais Fora da Lei – Three Outlaw Samurai (1964)

Esse é um dos chambara mais divertidos que já vi!
Primeiro filme do mestre Gosha, essa obra pega muita influência do faroeste spaghetti com muito humor negro, violência e diálogos vorazes. Talvez esse seja o filme de samurai mais acessível do diretor.

A Espada do Mal – Sword of the Beast (1965)

Uma das fotografias mais lindas de uma floresta que já vi em um filme preto e branco.
É uma obra bem atmosférica, hilária e um pouco sombria.
Diferente de seu primeiro filme, A Espada do Mal é um filme mais sério e também marca o primeiro trabalho do diretor com ator ‘Kunie Tanaka’ que viria a trabalhar com o diretor em muitos outros trabalhos.

Cash Calls Hell (1966)

Se Três Samurais Fora da Lei foi o seu Faroeste Spaghetti então Cash Calls Hell é seu filme noir! Nesse drama criminal de 1966, Hideo Gosha trabalhou pela primeira vez com o meu ator favorito de todos os tempos, Tatsuya Nakadai (A Espada da Maldição.)
Cash Calls Hell abre com um assalto mostrado em negativo, uma sequência um tanto quanto peculiar. O filme conta também com mais uma participação de Kunie Tanaka.
A sinopse básica é a seguinte:
Antes de sair da prisão, Oida (Nakadai) faz um acordo com seu colega de cela que em troca de metade de 30,000,000 yen, Oida teria que assassinar três estranhos.
Infelizmente o filme segue inédito no Brasil, nunca tendo sido lançado nem mesmo em VHS mas que você pode achar na vasta internet.
Como de praxe, Tatsuya Nakadai da um show de interpretação nesse filme estiloso composto por uma trilha sonora repleta de Jazz!

O Segredo da Urna – Sazen Tange and The Secret of the Urn (1966)


Logo cedo, na minha jornada pelo cinema samurai, topei com as franquias mais tradicionais do gênero, a saga de Sazen Tange foi uma delas, para efeito de comparação é como a franquia de Zatoichi, com inúmeros filmes e até mesmo livros, se estendendo com o passar dos anos ainda que de forma independente.
Essa versão do Mestre Gosha é uma aposta bastante segura do diretor, sem correr muitos riscos fora do padrão da série. O que mais gosto nessa versão é o canastrão “Kinnosuke Nakamura” que interpreta o personagem central.

Lobo Samurai – Samurai Wolf (1966)


Se Hideo Gosha um dia fosse escrever um mangá, Lobo Samurai seria o nome. Esse filme parece pegar influências dos mangás mostrando batalhas de espadas bem estilizadas com bastante violência e personagens cartunescos.
Detalhe: Não está errado, este é realmente o terceiro filme do diretor lançado em 1966. O ano mais ativo da carreira do diretor.

Lobo Samurai II – Samurai Wolf II (1967)


Ele fez uma sequência para o filme/mangá um ano depois.
Dentre as dez obras aqui citadas, esse talvez seja o mais fraco, não que o filme seja ruim, muito longe disso! O fato é que o filme reutiliza as ideias preestabelecidas no primeiro volume de Lobo Samurai.
Essa segunda parte só reforça mais ainda a ideia de que Gosha talvez tenha se inspirado em mangás para fazer a obra.

Tirania – Goyokin (1969)


Tirania não é só um dos melhores filmes do diretor ou do gênero, é um dos melhores que já vi na vida!
Foi aqui que minha paixão pelo trabalho de Tatsuya Nakadai começou a se consolidar.
Segunda vez que trabalham juntos (Gosha + Nakadai). Meu trabalho favorito do mestre da fotografia Kôzô Okazaki (Operação Yakuza), e um dos retratos mais avassaladores que já vi do Xogunato.
Não é a toa que o filme se enquadra no “Jidaigeki cruel”, que assim como Harakiri (outra obra prima estrelada por Nakadai) nos mostra um olhar aprofundado do abuso de poder dos Lordes Feudais.
Não simplesmente recomendo esse filme para amantes de filmes de samurai, ou filmes asiáticos mas sim para todos amantes do cinema!

Hitokiri: O Castigo – Tenchu! (1969)


Talvez o filme mais conhecido do diretor. Hitokiri conta com minha atuação favorita de Shintarô Katsu (o eterno ‘Zatoichi’).
O filme é muito cru, com uma dose bem elevada de violência, o sangue inclusive se tornaria ainda mais comum nas duas próximas obras do diretor. Ainda mais violento do que Lobo Samurai Hitokiri ainda encontra tempo para fazer uma crítica ao Xogunato, assim como foi o caso de Tirania. O filme tem um final bem impactante, para não dizer brutal!

Os Lobos – The Wolves (1971)
Depois de um grande confronto entre dois clãs Yakuza, Seji Iwahashi (Tatsuya Nakadai) e vários outros envolvidos no conflito são presos. Antes de cumprir a pena Seji e todos os envolvidos no conflito (amigos e inimigos) são libertados, e se deparam com uma inusitada aliança entre ambos os clãs. Com isso, os recém libertos membros tem que lutar contra a própria angústia e conviver com o inimigo.

Primeiro filme YAKUZA dirigido por Hideo Gosha!
Também marca a terceira contribuição com o ator Tatsuya Nakadai, que aqui entrega uma de suas melhores atuações.
É incrível como Hideo Gosha antecipa o crepúsculo do gênero com um olhar depressivo e cruel do mundo da Yakuza. Um filme contemplativo, com uma violência visceral e um clímax arrebatador. O meu favorito do diretor até o momento em que escrevo (ainda faltam mais 13 filmes do diretor para ver) e assim como TIRANIA esse é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos! Atmosférico e brutal.

Violent Streets (1974)


Outro filme da Yakuza e infelizmente, assim como Cash Calls Hell, nunca viu a luz no Brasil.
Dessa vez, um filme de yakuza mais tradicional.
Aqui temos Noboru Andô como protagonista (ele também trabalhou em Os Lobos).
Interessante notar que a obra reuni Noboru Andô e Bunta Sugawara novamente depois de Street Mobster de Kinji Fukasaku mantendo os mesmos padrões de personagens para ambos os atores.
Talvez Hideo Gosha tenha gostado tanto de Street Mobster que ficou com vontade de fazer sua própria versão da Yakuza suja e ultra violenta, porém invertendo o foco nos personagens. Independente disso, o filme é um dos mais divertidos da carreira de Gosha, até o momento sempre estive acostumado a ver Noboru Andô em segundo plano, como coadjuvante, então vê-lo como personagem principal pela primeira vez foi gratificante uma vez que sempre queria ver esse ator mais tempo em tela.
Violent Streets é um dos filmes Yakuza mais violentos dos anos 70 não dirigido por Fukasaku. Adoro ver Noboru Andô atuando como um chefe da Yakuza, uma vez  que na vida real ele foi membro da própria Yakuza antes de se tornar um ator.

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Com Violent Streets, os dez primeiros anos de Hideo Gosha como diretor foram cobertos. Ainda gostaria de escrever sobre cada uma deles separadamente futuramente, pois para cada obra muitas palavras podem ser expressadas sobre o que senti vendo. Quem sabe futuramente?
Felizmente ainda tenho mais 13 projetos do diretor para ver!

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