Crítica: Eu vi o Diabo (I Saw the Devil) [2010]

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Kim Jee-woon já é um veterano no cinema Sul Coreano, se você buscar agora recomendações de filmes asiáticos, com certeza um ou dois filmes dele estarão presentes. Tendo dirigido 8 filmes e alguns curtas (inclusive o melhor segmento do primeiro Three… Extremes), o diretor já até se aventurou nos E.U.A. com The Last Stand em 2013 (estrelando Arnold Schwarzenegger). Felizmente ele não permaneceu por lá, sendo censurado pelos estúdios hollywoodianos, e resolveu voltar para sua terra natal para continuar fazendo o que quer que lhe der na telha!
O filme já começa com um grande acerto, o elenco: Choi Min-sik e Lee Byung-hun! Byung-hun já é um recorrendo nos trabalhos do diretor, tendo trabalhado já em quatro de seus filmes. Já Choi Min-sik não trabalhava com Jee-woon desde o seu trabalho de estreia ‘Tudo em Família’. O filme marcaria não só a reunião do elenco com o diretor como também marcaria o retorno de Choi Min-sik que não trabalhava em um filme de estúdio desde 2005 quando apareceu em Lady Vingança (onde também viveu um serial killer). O motivo de tal exílio era um protesto à “Korean screen quota system” (mais sobre isso futuramente).
Generalizando I Saw The Devil, ele pertence ao Drama Criminal ou indo um pouco mais fundo, daria para incluir aos Thrillers de vingança proeminentes da Coreia do Sul. Porém durante vários momentos, o telespectador pode notar a presença de um outro gênero que perdura o longa: O Horror! Tamanha é a crueza e frieza de certos atos, que o filme é inclusive colocado em listas de ‘filmes horror asiáticos’. Erroneamente, pois a profundidade exposta em I Saw The Devil é tamanha que transcende qualquer gênero aqui citado. Nada de sobrenatural, nada de monstros. Homem vs Homem, essa é a premissa da obra, ou como o próprio título faz alusão figurativamente: Homem vs Diabo. O que fica mais explícito ainda com uma frase dita durante o filme: “Você não pode combater um Demônio sem se tornar um!”. Misture essa frase aos litros de sangue espalhados durante o longa e o resultado é um dos filmes mais brutais e bonitos já feitos.
Não gosto de adiantar qualquer evento específico, mesmo que inicial, com base nisso, a sinopse de forma BEM simples é a seguinte “Um agente secreto busca vingança contra um serial killer através de uma série eventos”. De acordo com a fórmula americana, tal filme deveria ser seco e sem qualquer indício de humor. Longe dessa fórmula, o filme encontra espaço para deixas (mesmo que breves) humorísticas, afinal a mistura de gêneros é uma das fortes características dos diretores asiáticos.
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É difícil escolher qual dos atores principais entrega a melhor atuação. De um lado, Lee Byung-hun consegue demonstrar toda a dor interna de seu personagem nos momentos de perda inicial, a frieza calculista nos momentos subsequentes, e o eventual corrompimento e alcance no fundo do poço na última cena. Do outro lado, Choi Min-sik, que mais uma vez demonstra conforto na pele de personagens psicopatas (isso foi um elogio), e com um absurdo olhar de frieza convincente. Basta sua presença para o clima pesado do filme se subverter em uma frieza brutal.
A selvageria dos atos mostrados na tela pode afastar muitos não acostumados com filmes do tipo. Kim Jee-woon não corta qualquer sequência violenta (embora eu gostaria de mais violência ainda). Indo na contra mão, ele prolonga o máximo possível os atos desumanos e ainda faz o uso de close-UPS no ápse da selvageria.file_551418_isawthedevilreviewAlguns poucos pontos fracos exclusivamente técnicos podem ser encontrados em I Saw The Devil, como os cortes rápidos no primeiro confronto entre os dois protagonistas ou na captura ‘final’ envolvendo um carro sem uma das portas… Mas isso não é nada que tire o brilho da maravilhosa carnificina filmada em 360º dentro de um carro, com uso sonoros de facadas bastante incômodos por serem bastante realistas ou do uso de câmera na mão em sequências como a do descobrimento de uma certa ‘cabeça’ decapitada flutuando em meio ao rio cercado pela perícia, mídia e curiosos que se aglomeram. Kim Jee-woon não poupa esforços em prolongar a tensão nos momentos mais fortes, sequências desesperadas e até mesmo na iminente sequência de ação que ocorre em um mansão, lar de um canibal local.
“O mau atrai o mau”, nunca essa frase fez mais sentido do que em Eu vi o Diabo. Kyung-chul (Choi Min-sik) se depara com inúmeros malfeitores locais em sua fuga, de ladrões até o já citado canibal (este último já conhecido de Kyung-chul). Claro que todos encontros, de uma forma ou de outra, acabam em um banho de sangue.
Em uma fórmula tradicional teríamos o desfecho com um close-up do sorriso maligno daquele que viu, combateu e se tornou o Diabo… Como essa não é uma obra padrão, temos um desfecho em lágrimas, em desespero, daquele que alcançou o fundo do poço em nome da fria vingança, que lhe custou tudo, inclusive sua alma.

Violência: 05/05

Nota Final: 05/05

 

Filme nunca lançado no Brasil, infelizmente! Esse é um dos raros casos de que não gostaria de ver um lançamento em DVD, não quero, não faz sentido, esse eu quero o Blu-Ray! É por isso que vou importar no fim do mês! =]

 

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