“Resident Evil 7” une fórmula moderna e antiga.

Foram muitos os deslizes da Capcom em relação à Resident Evil, a franquia já passou pelo céu e pelo inferno (às vezes transitando entre os dois em um mesmo título). O fator ‘inovação’ parecia perdido depois de Resident Evil 6, um título que tentou agradar gregos e troianos, mas que falhou em capturar sua essência.

Podemos dividir a franquia em duas fórmulas básicas: A fórmula antiga, que prezava pelos quebra-cabeças mirabolantes e a dificuldade antiquada em um tempo pré Dark Souls (estamos falando dos anos 1990 afinal), ou seja, Survival Horror em sua forma mais pura (pouca munição, poucos saves, pouca noção de objetividade). E a fórmula mais recente — Os fãs da primeira fase já não suportavam mais anúncios de um tal Umbrella Corps (se bem que esse é difícil agradar qualquer um), que apela para essa fórmula com cara de anos 2000, a ação desenfreada! Popularizada por Resident Evil 5, mas que convenhamos, começou realmente (mesmo que de forma mais controlada) em Resident Evil 4.

Uma divisão já estava se formando em 2005 (com o lançamento do quarto capítulo) e se consolidou de vez com o lançamento do quinto título, em 2009. Já na década atual, a Capcom tratou de tentar achar um meio termo para agradar ambos os lados, eis que surge a salada RE 6 e os spin-offs RE: Revelations.

Os mais puristas, se entregaram ao excelente remake do primeiro capítulo e a pré-sequência “Resident Evil: Zero”. Os mais vidrados na segunda fórmula já se ligavam nas remasterizações de RE 4, 5 e 6. Claro que existem os adeptos à franquia que se deliciam com ambas as fórmulas, mas esses são mais raros.

É nesse cenário dividido que surge Resident Evil 7, que segunda a imprensa especializada é: “Uma volta as raízes”. De raiz, RE 7 bebe pouco, a Capcom finalmente acertou a mão nas misturas, como vem fazendo desde o início da década, e é isso que dá o tom a esse novo capítulo.

Se olharmos para a história da franquia como um todo, e compararmos com a situação do gênero Survival Horror, podemos fazer um comparativo da qual a franquia vem sempre acompanhando as tendências. P.T. (Silent Hills para os íntimos) já sinalizava o retorno da franquia Silent Hill para a sua forma clássica (mesmo não concretizado), utilizando uma câmera bem produtiva e atual, em primeira pessoa, como a do hit “Outlast”.

Diferente da trama habitual, RE 7 é um drama mais pessoal. O objetivo maior é sobreviver, e não resgatar a filha do presidente ou evitar a propagação de um novo vírus — não só sobreviver, como ir atrás da esposa Mia, desaparecida há três anos.

Sem investir em sustos fáceis, o game investe mais em atmosfera. Ganha muito com a câmera em primeira pessoa, é dinâmico e lento, com quebra-cabeças mas não exagerados (meio repetitivo às vezes), não te leva pela mão mas não é um poço escuro (existe o letreiro que anuncia o objetivo a ser seguido), é horror mas com pitadas de ação (nas lutas contra chefes). É Survival Horror antigo com cara de moderno.

É um vai e vem sem fim procurando uma forma de abrir uma porta trancada, os itens escassos estão de volta, não atire nos Bakers (família antagonista que parece saída d’O Massacre da Serra Elétrica de 1987), eles não são zumbis que morrem fácil, sequer são zumbis, são praticamente imunes aos danos que Ethan (personagem protagonista) pode causar, e ainda se regeneram.

“Cadê os zumbis?” os mais desavisados podem se perguntar, a resposta é ampla e resumida: “Resident Evil nunca foi sobre zumbis, é sobre vírus e armas biológicas” (daí o nome original Biohazard). RE 7 se despe da ação desenfreada abordada nos títulos lançados nessa década,  reutiliza parte da fórmula antiga com a roupagem mais comercial e moderna atual no gênero. Para uma real volta as raízes, seria necessário uma abordagem muito mais punitiva, mas esse é um risco que a Capcom não está em posição de assumir.

No fim, quando se está com a manete na mão, o passado não importa, o que vale é a experiência atual, e nisso, Resident Evil 7 cumpre muito bem o seu papel.

 

 

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