Crítica: Operação Invasão (The Raid: Redemption) – Um dos melhores filmes de ação da década.

“Operação Invasão” (The Raid no original) é uma daquelas pérolas que surgem de vez em quando, em algum lugar no mínimo inusitado, colocando a cena cinematográfica de tal local no mapa enquanto goza de tremendo sucesso mundo a fora. Inúmeros exemplos podem ser dados, como: Oldboy e Coreia do Sul, Ong Bak e Tailândia, etc. Em 2011, Gareth Evans (diretor galês) fez o mundo prestar a atenção no cenário da Indonésia quando lançou seu Operação Invasão no Festival Internacional de Toronto.

Voltando um pouco: Sem muita grana para tirar do papel um roteiro ambicioso, Gareth Evans decidiu filmar algo menor, e que se fizesse sucesso iria ajudar a financiar o seu projeto mais ambicioso (mais tarde esse roteiro se tornaria Operação Invasão 2). Então nasceu THE RAID: REDEMPTION, a ideia de se fazer um filme de artes marciais contidas em um único edifício veio exatamente das questões limitadas de orçamento, porém o filme usa isso ao seu favor, a obra é claustrofóbica. Não só isso; É frenético, violento e insano. Um rápido desvio de olhar pode fazer com que o espectador perca o próximo dilaceramento.

Durante uma hora e quarenta minutos, se tem pouco tempo para respirar no meio da trama rápida e diálogos bobos que servem de desculpa para a pancadaria rolar — A trama é simples: Grupo de elite da polícia invade um edifício dominado por marginais para extrair o líder da gangue, isso tudo em uma operação extraoficial, as coisas logo dão errado, e o objetivo se torna sair com vida do edifício.

O filme foi exibido em muitos países da América (fato considerável para uma produção da Indonésia) e por onde passou, criou-se uma legião de fãs. As coreografias vistas em tela são tão complexas quanto orgânicas. Diferente de muitos diretores atuais do gênero, Gareth sabe quando cortar uma cena durante as filmagens, sendo assim, ele não deixa para que tudo seja mascarado na hora da edição final, os cortes bem pensados durante a preparação da coreografia são parte da magia hipnotizante que são os confrontos ‘mano a mano’. Outra coisa maravilhosa a se levar em conta são as câmeras que focam em todos os movimentos que os atores fazem. Não tem aquele momento em que você tem que ficar tentando ‘adivinhar’ o que está acontecendo em tela devido aos cortes rápidos e a terrível câmera balançando — que tem se tornado cada vez mais comum no cinema americano.

Nada disso seria possível sem outro grande ponto forte, o elenco! Iko Uwais (o protagonista Rama) é um grande mestre do Silat, juntamente com Yayan Ruhian (Mad Dog)  — esse último, inclusive treinou vários agentes do serviço secreto da Indonésia — entregam movimentos rápidos, precisos e invejáveis. É deles também a coreografia das lutas. Até personagens menores são interpretados por lutadores experientes, Jaka, por exemplo, é interpretado por ‘Joe Taslim’ que foi um lutador profissional de judô.

A violência extrema torna todo o longo caminho até o topo do edifício mais satisfatório. Longe das limitações americanas, Gareth pode fazer o que quiser, de dilacerar corpos com um facão até chacinas com armas de fogo. As lutas corpo a corpo não funcionariam muito bem sem a violência, todo o contexto da tensão justifica os corpos derrubados. O longa ainda contém um raro exemplo de ‘herói que mata’, cada vez menos comuns nas produções de ação. Rama (Iko) quando encurralado não poupa seus inimigos, isso eleva todo o grau de realismo e deixa de lado o heroísmo barato de produções mais caricatas.

Existem duas versões da trilha sonora. Na versão original da Indonésia a trilha foi composta por músicos locais (muito boa por sinal), e para a versão internacional, Mike Shinoda (Linkin Park) e Joseph Trapanese (Tron: O Legado) foram recrutados para o cargo.
A versão internacional tem umas sacadas bem legais, tipo misturar dance durante a luta contra a ‘gangue da machete’ onde a iluminação se torna mais colorida e desordenada, dando a impressão de uma discoteca despovoada. Destaque também para a música que substitui o som do alarme em determinado momento do filme, fazendo uma fusão da trilha com o momento dramático, quase que um vídeo clipe.

Levando em consideração os enormes corredores com portas que levam para outros corredores ainda maiores, ou cômodos localizados em pontos sem sentido, podem fazer qualquer arquiteto atento se contorcer na cadeira. O fato é que essa planta é alterada em prol da trama, esse edifício fantasioso é parte de extrema importância, é o grande palco para todo o espetáculo de pancadaria.

A sensação que fica após o término, é a de pura adrenalina. É o típico filme de ação raiz desgarrado da própria trama, que a propósito, está em falta no mercado.

 

Avaliação: ★★★★★ (Ótimo)
Duração: 1 hr 41 min (101 min)
Idioma: Indonésio
Elenco: Iko Uwais, Joe Taslim, Donny Alamsyah, Yayan Ruhian, Pierre Gruno
Diretor: Gareth Evans

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O filme foi distribuído pela Sony no país. Se você é fã, é recomendado o blu-ray, pois além de extras a mais, a imagem/áudio são de cair o queixo, inclusive pode-se escolher entre a versão original da trilha sonora, ou a versão internacional! Ótimo!

Avaliação do Blu-ray: ★★★★★ (Ótimo)
Extras: Making-Of, Atrás das Cenas com Gareth Evans, Nos Bastidores da Música, Opção de Comentários do Diretor e mais.

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