Crítica: “Jailbreak” é ainda pior do que aparenta.

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Não se deixe levar pela introdução no estilo seriado de pouca qualidade (como os muitos presentes no Netflix) que abre “Jailbreak”, com instabilidade na edição e uma aparência de amador, o filme consegue ser muito pior do que aparenta em seus minutos iniciais.

A trama gira em torno de uma grupo de policiais que ficam encarregados de escoltar um prisioneiro, que atende pelo nome de PlayBoy, até uma prisão de segurança máxima. Lá, uma rebelião se inicia, arquitetada por um sindicato criminoso formado apenas por mulheres (da qual PlayBoy fazia parte — ele era o único homem) para dar cabo do futuro prisioneiro pelo seu recente delato. Logo, o grupo de policial fica preso no meio da rebelião, e o jeito é partir para a pancadaria para sair com vida.

É de praxe no gênero uma trama pobre e sem nenhum desenvolvimento, usada como desculpa para a ação acontecer. Mas e quando a ação não compensa toda essa bobeira? Afinal, até mesmo a babaquice tem que ter um limite!

Em certo momento o grupo tem acesso a um celular, rapidamente ligam para o chefe encarregado, ele não atende, estava no banho, paciência… O telefone então se torna inútil. Não se pode ligar para mais ninguém no mundo, tem que esperar o encarregado retornar a ligação. São besteiras como essas que nos fazem desligar o cérebro para se concentrar na pancadaria, mas o problema não acaba aí.

Em outro momento, cansada de esperar resultados de dentro da prisão, a arquiteta de toda a situação (que pagou para matar PlayBoy) decide invadir a prisão para dar cabo do traidor ela mesma, portando apenas uma katana, e na companhia de outras mulheres, todas vestidas de couro e salto alto, invadem a prisão, ainda em rebelião, com dois minutos. “É uma longa história” a líder responde quando indagada como invadiu a prisão deserta (talvez fosse domingo e todos os policiais da cidade se encontravam de folga). Claro que não podia faltar o close-up na ‘bunda’ de cada uma das moças enquanto elas desfilam em slow motion pelos corredores vazios do cenário mal feito da prisão, que se resume apenas nisso: corredores e mais corredores.

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Deixando a trama boba de lado, nos resta os aperitivos do gênero proposto pelo filme: artes marciais e comédia.

As lutas são compostas pelo único acerto do longa: o trabalho estável de câmara. O que deveria ser uma obrigação no gênero (como era nos anos 1970, 1980 e 1990) se tornaram um mérito em época de mediocridades como “The Equalizer” ou “A Colombiana”. A câmera emula o visto em Operação Invasão, longa que obviamente serviu de inspiração para JailBreak, há inclusive a câmera dinâmica que acompanha um corpo atirado ao chão, fazendo o movimento em 180° até que se tenha a imagem de ponta cabeça, retornando para a posição normal de forma a acompanhar o retorno do atingido para mais um round. Esse truque já foi emulado recentemente, em “Headshot“, mas tudo bem, JailBreak é uma produção da Camboja, país sem tradição no gênero.

Mesmo em meio ao bom trabalho de câmera, as coreografias podem parecer mais falsas do que o normal, os atores até que são bons, mas os movimentos são toscos com apenas alguns lapsos de bons momentos, faltou cortes mais precisos nos momentos de ataques mais complexos, parecia uma obrigação capturar tudo em plano sequência.

O diretor italiano Jimmy Henderson, ciente do absurdo da trama, resolveu colocar muito humor, sem saber que esse seria o prego final no caixão do longa. É de extremo mau gosto a comédia repetitiva de ‘caras e bocas’ forçadas durante todo o tempo por personagens concebidos como alívio cômico.

Já não basta toda a idiotice que se desenrola pelos seus 92 minutos, ainda sobra tempo para uma resolução patética e banal durante os créditos, não foi dessa vez que a Camboja produziu um bom filme de artes marciais, mas a culpa deve ser atribuída a incompetência de seu diretor, que já conta com mais dois filmes em pós produção, alguém pare esse homem!

Avaliação: ★ (Muito ruim)
Duração: 1 hr 32 min (92 min)
Idioma: Khmer
Elenco:  Jean-Paul Ly, Laurent Plancel, Celine Tran, Tharoth Sam
Diretor: Jimmy Henderson
-Filme disponível no Netflix

 

 

 

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