Sonatine (1993) de Takeshi Kitano.


Durante os anos 50 e 60 houve uma explosão de filmes da Yakuza no Japão, dirigidos por grandes mestres da época como o esteta do absurdo Seijun Suzuki, Kiyoshi Saeki, Masahiro Shinoda e muitos outros. Esse gênero começou a mudar depois que Kinji Fukasaku apareceu com seus filmes de yakuza contendo muita violência gráfica, apresentando uma visão mais cruel do mundo da yakuza e desconstruindo todo o período Ninkyo eiga. Isso causou uma nova onda de filmes da yakuza seguindo esse estilo, as obras centravam mais nos homens da Yakuza do que na própria Yakuza.

Durante os anos 80, o gênero começou a ruir e tinha pouco espaço no Cinema Japonês, com pouquíssimas exceções. O mercado japonês era dominado por filmes voltado para o público mais feminino jovem nos anos 90, mais sobre isso pode ser visto no super descontraído extra do ótimo BOX Cinema Yakuza da Versátil que contém é claro, uma versão belíssima versão do filme Sonatine, além de outros filmes INCRÍVEIS do gênero!

Em 1993, no meio desse mercado, surgiu Takeshi Kitano com Sonatine, seu quarto filme. E sozinho conseguiu revitalizar o gênero, Kitano faz uma mistura única do Ninkyo eiga com o Jitsuroku eiga, criando um estilo único. Sonatine não é o tradicional filme de Yakuza, o filme tem uma abordagem muito mais contemplativa, se distanciando dos tradicionais contos brutais sobre honra (pegou a referência?) da Ninkyo eiga. A obra de Kitano é mais sobre como o ser humano em constante contato com a violência acaba ‘futilizando’ a brutalidade de um ato de violência, tornando a violência em só mais uma coisa rotineira.

Sonatine foi o primeiro filme de Yakuza que eu vi, e o primeiro do mestre Kitano. O final abrupto e a forma como Kitano filmou o clímax e todas as cenas de violência também são responsáveis por despertar o meu interesse em filmes japoneses em geral. Um filme muito importante para mim que sempre gosto de recomendar para amantes do cinema.

Hilário, contemplativo, depressivo, violento e em certas partes experimental. A obra conta com um desfecho que sempre vai estar comigo, essa grande obra de arte é ainda mais apreciada com a hipnotizante trilha do grande colaborador de Kitano “Joe Hisaishi” da qual talvez você conheça de A Viagem de Chihiro e grandes outros lindos trabalhos do Studio Ghibli.

 

A linda trilha sonora pode ser ouvida completa em grande qualidade no Spotify:

https://open.spotify.com/embed/album/31Tq7nFq4nstjqQlQ7gzGH

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