“Chasing the Dragon” trailer legendado do novo filme de Donnie Yen e Andy Lau.

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Um imigrante ilegal constrói um império corrupto na Hong Kong ocupada pelos britânicos em 1963, transformando-se no maior chefão das drogas da história de Hong Kong.

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Depois de sua recente passagem por Hollywood, tendo atuado em ‘xXx: Reativado’ e ‘Star Wars: Rogue One’. Donnie Yen (SPL: Killzone) parece estar seguindo os passos do astro Jackie Chan ultimamente, e não para de pular de um projeto para outro. O mais recente projeto do ator é Chasing the Dragon (ainda sem nome oficial no Brasil), filme onde ele interpretará o chefão das drogas Crippled Ho. Uma espécie de Pablo Escobar chinês que fez carreira nos anos 60/70. Não é a primeira encarnação para o cinema de Crippled Ho, uma vez que Poon Man-Kit filmou em 1991, o clássico “To Be Number One” (também sem título oficial no Brasil).
Donnie Yen ainda tem os vindouros Big Brother, Yip Man 4 e Sleeping Dogs em produção (esse último sendo uma adaptação do jogo de mesmo nome).

Os diretores de Chasing the Dragon são: Jing Wong, da trilogia ‘ O Mestre dos Jogos’ com Chow Yun-fat e o iniciante na direção Jason Kwan, que já vem trabalhando com cinematografia à algum tempo mas nunca havia assumido o cargo de diretor.

Claro que o filme não tem previsão de lançamento para o Brasil, já que aqui só existe espaço para os filmes americanos, mas a vasta e maravilhosa internet irá quebrar o nosso galho, já no mês que vem, em janeiro de 2018, quando o filme for lançado em blu-ray nos E.U.A. Claro que trarei minhas impressões do filme, assim que eu por as mãos nele!

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“Hana-Bi: Fogos de Artifício” de Takeshi Kitano

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Existe um espiral sem fim dentro do ser humano que se baseia naquilo que sentimos em relação aos outros ou ao mundo, esse oceano profundo e infinito de emoções é aquilo que nos faz ser quem somos. Independente de suas conquistas, tal vazio é parte constante do ser humano, um abismo na qual aprendemos a conviver, e por vezes, devido à grandes decepções proporcionadas pelo nosso cotidiano, falta de oportunidades ou o acaso sombrio que permeia a morte, tal abismo passa a nos consumir.

Por várias vezes na história do cinema, esse sentimento foi abordado, criando obras depressivas que transbordavam beleza. Yasujirō Ozu por exemplo (para citar apenas um nome), tinha a capacidade de olhar para tal escuridão do cotidiano e recriar, através da sétima arte, histórias incríveis com personagens que estão em constante contato com esse espiral sem fim.

Takeshi Kitano já havia se integrado no mundo cinematográfico 8 anos antes desse seu trabalho, com ‘Policial Violento’ em 1989 e já contava com uma versátil filmografia, passeando pelo experimental (A Scene at the Sea), pela comédia (Getting Any? ), pelo drama (Kids Return ) e claro, pelos filmes de Yakuza (Boiling Point e Sonatine). Mas foi somente em 1997, com Hana-Bi: Fogos de Artifício que Kitano viria a ter seu trabalho reconhecido mundialmente, condecoração que levou seus antigos trabalhos a serem reavaliados pelos críticos. Parte disso, se deve ao fato de Kitano ter ganho o Leão de Ouro (em italiano: Leone d’Oro), que é o galardão máximo concedido pelo júri do Festival Internacional de Cinema de Veneza (Mostra Internazionale d’Arte Cinematografica), pelo seu trabalho em Hana-Bi, onde ele escreveu, dirigiu e atuou.

“Depois de passar por um trauma e ver seu melhor amigo parar na cadeira de rodas, o policial Nishi decide deixar a força para se concentrar em sua esposa, que possui uma doença em estado terminal.” Até mesmo essa sinopse simples já traz uma das grandes sacadas de Kitano, o minimalismo. Menos é mais nas obras mais famosas de Kitano, e em Hana-Bi, Kitano deixa claro as ideias subjetivas que sempre estiverem presentes na sua carreira cheia de registros regressistas.

Mesmo não sendo tão abstrato quanto ‘A Scene at the Sea’, Hana-Bi esbanja um sentimento etéreo, com um olhar impalpável sobre as relações de Nishi, com uma câmera de pura leveza que vive em contraste com a violência. E mesmo em seus momentos mais extremos, Hana-Bi consegue a proeza de permanecer imutável.

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Durante essa jornada finita de decisões feitas no ápice desse furacão composto de sentimentos depressivos, Hana-Bi abre espaço para outros dois personagens brilharem. Horibe (Ren Osugi) que não precisa expressar por meio de palavras toda sua solidão. Basta a simples imagem de suas pinturas, e tudo é exposto de forma mais profunda do que qualquer palavra poderia expor. As pinturas que compõe os sentimentos é como a arte dentro da arte. Um dos raros casos em que um diretor faz uso tão estável da arcaica ‘terceira arte‘. Se Horibe é o primeiro de dois personagens que brilham além de Nishi, o segundo é a música de Joe Hisaishi. A sintonia dos trabalhos dos dois (Kitano+Hisaishi) é quase sobrenatural.

Talvez palavras não sejam o bastante para expor o impacto que Hana-Bi me causou. Esse contato com a arte pode abrir os olhos de muitos para a pintura, para a música e para o próprio cinema de arte! O silêncio também é uma característica que compõe essa jornada morro abaixo na estrada da vida, daqueles desafortunados o bastante para se encontrar de frente com o abismo que habita os nossos corações.

Haba-Bi foi lançado no Brasil pela Versátil em DVD. Uma pena não ter sido lançada em blu-ray… Mas acho que estou reclamando de barriga cheia, uma vez que a versão lançada em DVD está em uma boa cópia restaurada (Ainda assim queria o blu-ray)…

 

Crítica: Eu vi o Diabo (I Saw the Devil) [2010]

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Kim Jee-woon já é um veterano no cinema Sul Coreano, se você buscar agora recomendações de filmes asiáticos, com certeza um ou dois filmes dele estarão presentes. Tendo dirigido 8 filmes e alguns curtas (inclusive o melhor segmento do primeiro Three… Extremes), o diretor já até se aventurou nos E.U.A. com The Last Stand em 2013 (estrelando Arnold Schwarzenegger). Felizmente ele não permaneceu por lá, sendo censurado pelos estúdios hollywoodianos, e resolveu voltar para sua terra natal para continuar fazendo o que quer que lhe der na telha!
O filme já começa com um grande acerto, o elenco: Choi Min-sik e Lee Byung-hun! Byung-hun já é um recorrendo nos trabalhos do diretor, tendo trabalhado já em quatro de seus filmes. Já Choi Min-sik não trabalhava com Jee-woon desde o seu trabalho de estreia ‘Tudo em Família’. O filme marcaria não só a reunião do elenco com o diretor como também marcaria o retorno de Choi Min-sik que não trabalhava em um filme de estúdio desde 2005 quando apareceu em Lady Vingança (onde também viveu um serial killer). O motivo de tal exílio era um protesto à “Korean screen quota system” (mais sobre isso futuramente).
Generalizando I Saw The Devil, ele pertence ao Drama Criminal ou indo um pouco mais fundo, daria para incluir aos Thrillers de vingança proeminentes da Coreia do Sul. Porém durante vários momentos, o telespectador pode notar a presença de um outro gênero que perdura o longa: O Horror! Tamanha é a crueza e frieza de certos atos, que o filme é inclusive colocado em listas de ‘filmes horror asiáticos’. Erroneamente, pois a profundidade exposta em I Saw The Devil é tamanha que transcende qualquer gênero aqui citado. Nada de sobrenatural, nada de monstros. Homem vs Homem, essa é a premissa da obra, ou como o próprio título faz alusão figurativamente: Homem vs Diabo. O que fica mais explícito ainda com uma frase dita durante o filme: “Você não pode combater um Demônio sem se tornar um!”. Misture essa frase aos litros de sangue espalhados durante o longa e o resultado é um dos filmes mais brutais e bonitos já feitos.
Não gosto de adiantar qualquer evento específico, mesmo que inicial, com base nisso, a sinopse de forma BEM simples é a seguinte “Um agente secreto busca vingança contra um serial killer através de uma série eventos”. De acordo com a fórmula americana, tal filme deveria ser seco e sem qualquer indício de humor. Longe dessa fórmula, o filme encontra espaço para deixas (mesmo que breves) humorísticas, afinal a mistura de gêneros é uma das fortes características dos diretores asiáticos.
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É difícil escolher qual dos atores principais entrega a melhor atuação. De um lado, Lee Byung-hun consegue demonstrar toda a dor interna de seu personagem nos momentos de perda inicial, a frieza calculista nos momentos subsequentes, e o eventual corrompimento e alcance no fundo do poço na última cena. Do outro lado, Choi Min-sik, que mais uma vez demonstra conforto na pele de personagens psicopatas (isso foi um elogio), e com um absurdo olhar de frieza convincente. Basta sua presença para o clima pesado do filme se subverter em uma frieza brutal.
A selvageria dos atos mostrados na tela pode afastar muitos não acostumados com filmes do tipo. Kim Jee-woon não corta qualquer sequência violenta (embora eu gostaria de mais violência ainda). Indo na contra mão, ele prolonga o máximo possível os atos desumanos e ainda faz o uso de close-UPS no ápse da selvageria.


Alguns poucos pontos fracos exclusivamente técnicos podem ser encontrados em I Saw The Devil, como os cortes rápidos no primeiro confronto entre os dois protagonistas ou na captura ‘final’ envolvendo um carro sem uma das portas… Mas isso não é nada que tire o brilho da maravilhosa carnificina filmada em 360º dentro de um carro, com uso sonoros de facadas bastante incômodos por serem bastante realistas ou do uso de câmera na mão em sequências como a do descobrimento de uma certa ‘cabeça’ decapitada flutuando em meio ao rio cercado pela perícia, mídia e curiosos que se aglomeram. Kim Jee-woon não poupa esforços em prolongar a tensão nos momentos mais fortes, sequências desesperadas e até mesmo na iminente sequência de ação que ocorre em um mansão, lar de um canibal local.
“O mau atrai o mau”, nunca essa frase fez mais sentido do que em Eu vi o Diabo. Kyung-chul (Choi Min-sik) se depara com inúmeros malfeitores locais em sua fuga, de ladrões até o já citado canibal (este último já conhecido de Kyung-chul). Claro que todos encontros, de uma forma ou de outra, acabam em um banho de sangue.
Em uma fórmula tradicional teríamos o desfecho com um close-up do sorriso maligno daquele que viu, combateu e se tornou o Diabo… Como essa não é uma obra padrão, temos um desfecho em lágrimas, em desespero, daquele que alcançou o fundo do poço em nome da fria vingança, que lhe custou tudo, inclusive sua alma.

Violência: 05/05

Nota Final: 05/05

 

Filme nunca lançado no Brasil, infelizmente! Esse é um dos raros casos de que não gostaria de ver um lançamento em DVD, não quero, não faz sentido, esse eu quero o Blu-Ray! É por isso que vou importar no fim do mês! =]

 

Crítica: A Vilã (The Villainess), trabalho técnico com enredo esquecível.

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Um dos muitos filmes asiáticos esperados por mim em 2017, era exatamente a obra ultra violenta de Jung Byung-gil “A Vilã”. O filme serviria como uma espécie de redenção minha em relação ao trabalho de Byung-gil, uma vez que sua obra máxima até então (não que ele tenha muitos trabalhos), Confissão de Assassinato, não me agradou de praticamente nenhuma forma (apenas o aspecto técnico me agradou). Apesar do hype, não foi dessa vez que entrei em sintonia com o trabalho do diretor.
Exibido no ‘Festival do Rio 2017‘ com o nome válido de A Vilã, o filme se mostra extremamente fiel a todos excessos prometidos em seu anúncio: Muita ação, muita violência e uma Kim Ok-bin badass! Confesso que não assistia nenhum projeto com ela desde 2009 com o primoroso “Sede de Sangue” de Park Chan-wook. Outro rosto conhecido que não via já à algum tempo era o de Shin Ha-kyun, que também trabalhou em Sede de Sangue mas que talvez você o conheça como o protagonista mudo de Mr. Vingança! Já não bastasse o elenco animador, toda a premissa do filme já se mostrava interessante para saciar a sede de sangue de muitos espectadores e aficionados pelo cinema Sul Coreano, inclusive a minha!
O filme começa com uma sequência em primeira pessoa, bem no estilo Hardcore Henry, só que mais polida. É fácil se deixar levar nos primeiros minutos de The Villainess, onde Sook-hee (Kim Ok-bin) sai distribuindo pancadas em uma sequência bem conduzida e brutal, com acrobacias mirabolantes, lutas de facas, tiroteio e muito violência. Em determinado momento, a câmera decide deixar a visão em primeira pessoa e finalmente nos mostrar o estilo original criado pelo diretor para demonstrar toda a ação. Sem o uso de cortes rápidos, o diretor optou por usar ângulos fora do padrão enquanto a ação ocorre, além de fazer tudo parecer um longo plano-sequência, mas que na verdade são cenas filmadas de formas independes e corrigidas com o uso de CGI para parecer ininterrupto. Falando em computação gráfica, Jung Byung-gil parece ter feito um propósito de abusar de CGI em certas sequências, o que me causou muito desconforto enquanto as asistia, uma vez que detesto o excesso de CGI em filmes de ação.
A Vilã
Em certos momentos do longa, Byung-gil parece se desligar um pouco de tudo que construiu no início e decide apelar para algumas técnicas preguiçosas durante cenas de ação, com o uso de cortes rápidos e da terrível Shaky Cam, que inclusive, essa última, defendida por alguns entusiastas como uma “escolha de design”. Nenhuma palavra enfeitada nesse mundo pode tirar da minha cabeça que isso não passa de preguiça e falta de competência. O estranho é ver Jung Byung-gil alcançar um patamar de técnicas incríveis para se filmar algumas sequências de ação, como na batalha final dentro de um ônibus por exemplo, onde os ângulos são fenomenais e totalmente inusitados, fazendo por vezes me perguntar “Como diabos filmaram isso?” e em outras abusar do “Slow Motion CGI” padrão dos esquecíveis filmes de super heróis de hoje em dia e ainda descer mais o nível e fazer o uso da famigerada câmera balançando. The Villainess é sem dúvida nenhuma uma mistura técnica absurda, um turbilhão de êxtases e decepções.
Nesse ponto você talvez esteja se perguntando: “Mas e quanto ao enredo do filme?”. Pois é… e o enredo?… Acho que se esqueceram de fazer um e optaram por pegar uma história aleatória de alguma novela mexicana por aí…

Violência: 03/05

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Nota Final: 02/05
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(Por méritos técnicos em certas sequências e apenas isso!)

Obrigado Blade Runner 2049!

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Qual o sentido de fazer uma carta de agradecimento para um grande diretor que não sabe da sua existência? ou seja, ele nunca vai ler mesmo… E ainda por cima, falar de um filme americano em um domínio reservado para se discutir o cinema asiático? Não faz o mínimo sentido!
Ainda assim, venho por meio de palavras avulsas, agradecer pelo novo “Blade Runner 2049”, sequência do clássico “Blade Runner” (Oh really?) de 1982 dirigido pelo – uma vez grande – diretor Ridley Scott, que na minha humilde opinião, fez o seu último grande filme à quase 10 anos atrás com o frenético e inteligente Rede de Mentiras (Body of Lies, 2008).
Blade Runner 2049 tinha tudo para ser uma péssima sequência, uma vez que Hollywood está em uma fase onde o puro caça níquel feito de CGI parece ter tomado conta, vide Marvel e afins. Meros produtos para o entretenimento do público, feitos visando simplesmente a arrecadação em massa. Objetivo esse, que claro, faz todo o sentido levando em conta o orçamento exorbitante para se concluir um produto desses. O novo Avengers por exemplo, tem um orçamento estimado de quase U$1 bilhão!
Dentro desse mercado, existe a necessidade de se fazer algo à altura dos efeitos especiais atuais, o que por si só, já faria do novo Blade Runner um filme caro. Com um orçamento grande, vem mais uma necessidade incluída, a de arrecadar o dobro para obter lucro, e como virou costume em Hollywood, fazer mais três ou quatro sequências! Dentro desse núcleo de arrecadação, existem riscos que os diretores/estúdios nunca correm. O de fazer um bom enredo! Tal risco, que em produções de 30 anos atrás não seria nada mais do que o esperado de um grande filme!
Graças a todos os envolvidos, muitos riscos foram tomados, e o diretor Denis Villeneuve resolveu submeter sua carreira em ascensão à uma obra com chances enormes de fracassos. Durante a pré-produção, cheguei a ler em algum lugar que tanto ele, quanto Ryan Gosling, já estavam cientes que o filme pudesse não agradar a massa, e consequentemente não ir bem em arrecadação, tornando o filme uma grande bomba para o estúdio. Tal comentário me fez torcer o nariz, exatamente por começar a imaginar o novo Blade Runner com muitas explosões e batalhas em computação gráfica. Um dos meus maiores medos eram ainda a reutilização de pontos seguros, como o novo Star Wars fez, um filme que poderia muito bem não existir, afinal a mitologia não foi expandida, apenas reaproveitando de fórmulas já estabelecidas pela franquia muitos anos atrás.
Felizmente na última semana eu descobri que o novo Blade Runner era muito mais do que um produto caça níquel da atual Hollywood, era em sua melhor forma, um filme. Lento, contemplativo, atmosférico e sem medo de se arriscar. Claro que ainda possui seus defeitos, como constantes flashbacks que existem simplesmente para relembrar o espectador de pontos chaves da trama… mas nada que fira a inteligência do público.
A obra ainda toma a difícil decisão de não explicar em palavras o turbilhão de sentimentos do personagem central “K” (ou “Joe” para os íntimos). Deixando a cargo do público entender por meio de gestos, reações e olhares o que o personagem sente.

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Em determinado momento, o personagem tem uma difícil decisão a ser tomada, e tudo que ele acredita é colocado à prova. Em um produto tradicional, teríamos um monólogo, ou uma explicação por meio de uma conversa aleatória. Como Blade Runner 2049 é muito mais do que um mero produto, toda a carga emocional é transmitida por imagens e pela hipnótica trilha sonora feita por Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch, que emulam o trabalho atemporal feito por Vangelis para a obra original.
Fadado a falhar nas bilheterias mundiais, por não entregar o que o público de BlockBuster quer (explosões e CGI exagerado), o filme se tornou uma bomba para o estúdio mas que levou esse que vos escreve à pensar, que talvez, bem lá no fundo, ainda exista luz no fim do interminável túnel de faltas de ideias em Hollywood. Fadado ao esquecimento por conta no novo Star Wars que chega no fim do ano, fica aqui o meu agradecimento à todos envolvidos em Blade Runner 2049, por correrem o risco, e por trazerem não um mero produto, mas um ‘filme’!
Obrigado Ryan Gosling, obrigado Harrison Ford, obrigado Denis Villeneuve!
Obrigado Blade Runner 2049!

Um breve olhar nos primeiros dez anos da carreira de HIDEO GOSHA.

Quando estou começando a me adentrar em um novo gênero, nunca começo pelos nomes óbvios e mais conceituados. Então quando comecei a me aprofundar no gênero Samurai não fui direto para os trabalhos do Kurosawa, um dos nomes mais fortes internacionalmente do gênero. Isso me ajuda a criar um solo básico que será útil mais pra frente quando começar a ver os nomes mais famosos do gênero, pois através dessa bagagem do gênero eu posso perceber nas obras mais conceituadas o que as tornaram mundialmente famosas e o motivo do status de revolucionário!
Depois de meses com grandes diretores como Shinoda, Kobayashi, Misume e outros eu finalmente irei começar à ver trabalhos do cineasta mais conceituado no gênero: Akira Kurosawa.
Mas durante minha jornada pelo sólido caminho do Bushido (literalmente ‘caminho do guerreiro’), encontrei um nome que teve um enorme impacto em mim: Hideo Gosha! 
Eu cobri os dez primeiros anos da carreira desse cineasta que atuou entre 64 e 92, com 23 trabalhos no currículo, tive contato com os 10 primeiros filmes dele (Feitos entre 64 e 74).

Três Samurais Fora da Lei – Three Outlaw Samurai (1964)

Esse é um dos chambara mais divertidos que já vi!
Primeiro filme do mestre Gosha, essa obra pega muita influência do faroeste spaghetti com muito humor negro, violência e diálogos vorazes. Talvez esse seja o filme de samurai mais acessível do diretor.

A Espada do Mal – Sword of the Beast (1965)

Uma das fotografias mais lindas de uma floresta que já vi em um filme preto e branco.
É uma obra bem atmosférica, hilária e um pouco sombria.
Diferente de seu primeiro filme, A Espada do Mal é um filme mais sério e também marca o primeiro trabalho do diretor com ator ‘Kunie Tanaka’ que viria a trabalhar com o diretor em muitos outros trabalhos.

Cash Calls Hell (1966)

Se Três Samurais Fora da Lei foi o seu Faroeste Spaghetti então Cash Calls Hell é seu filme noir! Nesse drama criminal de 1966, Hideo Gosha trabalhou pela primeira vez com o meu ator favorito de todos os tempos, Tatsuya Nakadai (A Espada da Maldição.)
Cash Calls Hell abre com um assalto mostrado em negativo, uma sequência um tanto quanto peculiar. O filme conta também com mais uma participação de Kunie Tanaka.
A sinopse básica é a seguinte:
Antes de sair da prisão, Oida (Nakadai) faz um acordo com seu colega de cela que em troca de metade de 30,000,000 yen, Oida teria que assassinar três estranhos.
Infelizmente o filme segue inédito no Brasil, nunca tendo sido lançado nem mesmo em VHS mas que você pode achar na vasta internet.
Como de praxe, Tatsuya Nakadai da um show de interpretação nesse filme estiloso composto por uma trilha sonora repleta de Jazz!

O Segredo da Urna – Sazen Tange and The Secret of the Urn (1966)


Logo cedo, na minha jornada pelo cinema samurai, topei com as franquias mais tradicionais do gênero, a saga de Sazen Tange foi uma delas, para efeito de comparação é como a franquia de Zatoichi, com inúmeros filmes e até mesmo livros, se estendendo com o passar dos anos ainda que de forma independente.
Essa versão do Mestre Gosha é uma aposta bastante segura do diretor, sem correr muitos riscos fora do padrão da série. O que mais gosto nessa versão é o canastrão “Kinnosuke Nakamura” que interpreta o personagem central.

Lobo Samurai – Samurai Wolf (1966)


Se Hideo Gosha um dia fosse escrever um mangá, Lobo Samurai seria o nome. Esse filme parece pegar influências dos mangás mostrando batalhas de espadas bem estilizadas com bastante violência e personagens cartunescos.
Detalhe: Não está errado, este é realmente o terceiro filme do diretor lançado em 1966. O ano mais ativo da carreira do diretor.

Lobo Samurai II – Samurai Wolf II (1967)


Ele fez uma sequência para o filme/mangá um ano depois.
Dentre as dez obras aqui citadas, esse talvez seja o mais fraco, não que o filme seja ruim, muito longe disso! O fato é que o filme reutiliza as ideias preestabelecidas no primeiro volume de Lobo Samurai.
Essa segunda parte só reforça mais ainda a ideia de que Gosha talvez tenha se inspirado em mangás para fazer a obra.

Tirania – Goyokin (1969)


Tirania não é só um dos melhores filmes do diretor ou do gênero, é um dos melhores que já vi na vida!
Foi aqui que minha paixão pelo trabalho de Tatsuya Nakadai começou a se consolidar.
Segunda vez que trabalham juntos (Gosha + Nakadai). Meu trabalho favorito do mestre da fotografia Kôzô Okazaki (Operação Yakuza), e um dos retratos mais avassaladores que já vi do Xogunato.
Não é a toa que o filme se enquadra no “Jidaigeki cruel”, que assim como Harakiri (outra obra prima estrelada por Nakadai) nos mostra um olhar aprofundado do abuso de poder dos Lordes Feudais.
Não simplesmente recomendo esse filme para amantes de filmes de samurai, ou filmes asiáticos mas sim para todos amantes do cinema!

Hitokiri: O Castigo – Tenchu! (1969)


Talvez o filme mais conhecido do diretor. Hitokiri conta com minha atuação favorita de Shintarô Katsu (o eterno ‘Zatoichi’).
O filme é muito cru, com uma dose bem elevada de violência, o sangue inclusive se tornaria ainda mais comum nas duas próximas obras do diretor. Ainda mais violento do que Lobo Samurai Hitokiri ainda encontra tempo para fazer uma crítica ao Xogunato, assim como foi o caso de Tirania. O filme tem um final bem impactante, para não dizer brutal!

Os Lobos – The Wolves (1971)
Depois de um grande confronto entre dois clãs Yakuza, Seji Iwahashi (Tatsuya Nakadai) e vários outros envolvidos no conflito são presos. Antes de cumprir a pena Seji e todos os envolvidos no conflito (amigos e inimigos) são libertados, e se deparam com uma inusitada aliança entre ambos os clãs. Com isso, os recém libertos membros tem que lutar contra a própria angústia e conviver com o inimigo.

Primeiro filme YAKUZA dirigido por Hideo Gosha!
Também marca a terceira contribuição com o ator Tatsuya Nakadai, que aqui entrega uma de suas melhores atuações.
É incrível como Hideo Gosha antecipa o crepúsculo do gênero com um olhar depressivo e cruel do mundo da Yakuza. Um filme contemplativo, com uma violência visceral e um clímax arrebatador. O meu favorito do diretor até o momento em que escrevo (ainda faltam mais 13 filmes do diretor para ver) e assim como TIRANIA esse é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos! Atmosférico e brutal.

Violent Streets (1974)


Outro filme da Yakuza e infelizmente, assim como Cash Calls Hell, nunca viu a luz no Brasil.
Dessa vez, um filme de yakuza mais tradicional.
Aqui temos Noboru Andô como protagonista (ele também trabalhou em Os Lobos).
Interessante notar que a obra reuni Noboru Andô e Bunta Sugawara novamente depois de Street Mobster de Kinji Fukasaku mantendo os mesmos padrões de personagens para ambos os atores.
Talvez Hideo Gosha tenha gostado tanto de Street Mobster que ficou com vontade de fazer sua própria versão da Yakuza suja e ultra violenta, porém invertendo o foco nos personagens. Independente disso, o filme é um dos mais divertidos da carreira de Gosha, até o momento sempre estive acostumado a ver Noboru Andô em segundo plano, como coadjuvante, então vê-lo como personagem principal pela primeira vez foi gratificante uma vez que sempre queria ver esse ator mais tempo em tela.
Violent Streets é um dos filmes Yakuza mais violentos dos anos 70 não dirigido por Fukasaku. Adoro ver Noboru Andô atuando como um chefe da Yakuza, uma vez  que na vida real ele foi membro da própria Yakuza antes de se tornar um ator.

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Com Violent Streets, os dez primeiros anos de Hideo Gosha como diretor foram cobertos. Ainda gostaria de escrever sobre cada uma deles separadamente futuramente, pois para cada obra muitas palavras podem ser expressadas sobre o que senti vendo. Quem sabe futuramente?
Felizmente ainda tenho mais 13 projetos do diretor para ver!

Sonatine (1993) de Takeshi Kitano.


Durante os anos 50 e 60 houve uma explosão de filmes da Yakuza no Japão, dirigidos por grandes mestres da época como o esteta do absurdo Seijun Suzuki, Kiyoshi Saeki, Masahiro Shinoda e muitos outros. Esse gênero começou a mudar depois que Kinji Fukasaku apareceu com seus filmes de yakuza contendo muita violência gráfica, apresentando uma visão mais cruel do mundo da yakuza e desconstruindo todo o período Ninkyo eiga. Isso causou uma nova onda de filmes da yakuza seguindo esse estilo, as obras centravam mais nos homens da Yakuza do que na própria Yakuza.

Durante os anos 80, o gênero começou a ruir e tinha pouco espaço no Cinema Japonês, com pouquíssimas exceções. O mercado japonês era dominado por filmes voltado para o público mais feminino jovem nos anos 90, mais sobre isso pode ser visto no super descontraído extra do ótimo BOX Cinema Yakuza da Versátil que contém é claro, uma versão belíssima versão do filme Sonatine, além de outros filmes INCRÍVEIS do gênero!

Em 1993, no meio desse mercado, surgiu Takeshi Kitano com Sonatine, seu quarto filme. E sozinho conseguiu revitalizar o gênero, Kitano faz uma mistura única do Ninkyo eiga com o Jitsuroku eiga, criando um estilo único. Sonatine não é o tradicional filme de Yakuza, o filme tem uma abordagem muito mais contemplativa, se distanciando dos tradicionais contos brutais sobre honra (pegou a referência?) da Ninkyo eiga. A obra de Kitano é mais sobre como o ser humano em constante contato com a violência acaba ‘futilizando’ a brutalidade de um ato de violência, tornando a violência em só mais uma coisa rotineira.

Sonatine foi o primeiro filme de Yakuza que eu vi, e o primeiro do mestre Kitano. O final abrupto e a forma como Kitano filmou o clímax e todas as cenas de violência também são responsáveis por despertar o meu interesse em filmes japoneses em geral. Um filme muito importante para mim que sempre gosto de recomendar para amantes do cinema.

Hilário, contemplativo, depressivo, violento e em certas partes experimental. A obra conta com um desfecho que sempre vai estar comigo, essa grande obra de arte é ainda mais apreciada com a hipnotizante trilha do grande colaborador de Kitano “Joe Hisaishi” da qual talvez você conheça de A Viagem de Chihiro e grandes outros lindos trabalhos do Studio Ghibli.

 

A linda trilha sonora pode ser ouvida completa em grande qualidade no Spotify:

https://open.spotify.com/embed/album/31Tq7nFq4nstjqQlQ7gzGH

Lee Byung-Hun e Kim Yun-Seok no trailer de ‘The Fortress’.

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Do aclamado diretor de Silenced e Miss Granny chega em 2017 The Fortress (aka Namhansanseong), o novo trabalho do diretor sul coreano Hwang Dong-Hyuk. Baseado no livro de Kim Hoon, esse thriller épico tem no elenco Lee Byung-Hun (Inside Men, Eu vi o Diabo), Kim Yun-Seok (Mar Sangrento) e Park Hae-Il (O Hospedeiro).

The Fortress será lançado na Coreia do Sul em setembro de 2017.

 

Fonte: [AsianWiki]

Trailer: “Triple Threat” (Tony Jaa, Tiger Chen e Iko Uwais).

Foi anunciado na Comic-Con o primeiro trailer do filme Triple Threat, dirigido por Jessie V. Johnson!

O filme vai contar com um elenco de encher os olhos:
Tony Jaa (Skin Trade, Ong Bak), Tiger Chen (O Homem do Tai Chi), Iko Uwais (Operação Invasão, Merantau), Michael Jai White (Lutador de Rua), Scott Adkins (O Imbatível III, Soldado Universal 4 – Juízo Final), o lutador da UFC Michael Bisping (xXx: Reativado), Celina Jade (Skin Trade), Jeeja Yanin (Chocolate) e Michael Wong (Beast Cops)

Street Mobster (1972) de Kinji Fukasaku


Dirigido pelo mestre da violência estética Kinji Fukasaku, Street Mobster é um filme de 1968 que marca uma das colaborações entre o ator Bunta Sugawara e o diretor, parceria que viria a ser reprisada inúmeras vezes, tendo seu ápice já no ano seguinte com o início da saga “Os Documentos da Yakuza”, um dos grandes marcos não só do Cinema Yakuza, mas do Cinema Japonês em geral.

Street Mobster é um daqueles filmes do chamado Jitsuroku eiga , que diferente do Ninkyo eiga, retratava a Yakuza no Japão pós-guerra, não como gangster glamorosos que seguiam o Bushido (código de honra do samurai) mas como gangster sem regras, sem limites, que viviam nos subúrbios e perseguiam o seu próprio desejo.

O filme já começa nos mostrando de perto muitas das atrocidades cometidas por um grupo de gangsters rebeldes que fazem uso da violência no seu dia a dia de forma trivial, inclusive a câmera de Fukasaku é essencial para nos jogar direto na ação. Fukasaku tem um jeito bem autoral de filmar, em forma de documentário, com ângulos diferenciados do tradicional.

Bunta Sugawara parece ter nascido para os papeis de gangsters de baixo nível, tanto que o ator reprisou personagens semelhantes inúmeras vezes em sua carreira, mas o destaque de Street Mobster fica com Noboru Andô. Se Bunta nasceu para ser o gangster low level, Noboru nasceu para ser o gangster glamoroso dos anos 70!
O ator possui uma presença invejável, é só ele passar pela porta, que o ator rouba toda a cena. Talvez toda a presença de gangster, se deva ao fato de que Noburo foi um Yakuza na vida real, muito antes de ser um ator!

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Dois anos depois, em 1974, Noboru Andô viria reprisar o papel de BOSS, em um trabalho que também reuniria Bunta Sugawara, o filme em questão é Violent Streets (também conhecido como Violent City), dirigido por um dos melhores diretores de samurai, e um dos meus diretores favoritos: O mestre Hideo Gosha!

A violência em Violent Mobster é tão marcante quanto em outros grandes trabalhos de Fukasaku, talvez um dos diretores mais violentos do Cinema Yakuza.
A sinopse, sem adiantar muito, é a seguinte: Isamu Okita (Bunta Sugawara), um punk de baixo nível, se une à outros gangsters de rua para tomar um território pequeno, para chamar de seu. Porém as coisas saem do controle e entre a vida e a morte, Isamu se vê sem escolhas, a não ser entrar para a gangue de Yato (Noboru Andô), um respeitado chefe local da Yakuza. O filme ainda conta com muitos outros personagens, mas como é uma obra curtinha, de apenas uma hora e meia, não quero adiantar muito os outros personagens para não estragar a experiência.

Se você nunca viu um filme da Yakuza, talvez Street Mobster não seja a melhor porta de entrada, uma vez que esse Jitsuroku eiga é extremo em vários níveis. Como estamos falando de Kinji Fukasaku, não preciso frisar que o filme é ultra violento. A paleta de cores não diferencia muito dos outros trabalhos do diretor, e a história contém um desfecho satisfatório, de acordo com a mensagem que o filme quer lhe passar.

Todo o ódio de Isamu talvez seja incompreensível para algumas pessoas, afinal o filme já nos joga em meio à toda essa confusão mas para aqueles por dentro do contexto histórico do Japão na época em que o filme se passa, todo esse ódio será compreendido.
Por tanto, uma rápida pesquisa para se situar será muito bem vinda.

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Street Mobster
é doentio, violento e muito bem dirigido pelo mestre Fukasaku. Não tem como não gostar se você é fã da Yakuza, ou simplesmente das bizarrices de Takashi Miike, inclusive é interessante notar as influências que Miike pegou através da filmografia de Fukasaku, vindo até a refilmar um outro grande filme de Fukasaku, Alugados pelo Inferno (Graveyard of Honor).

Violência: 04/05

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Nota Final: 04/05
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