FELIZ ANO NOVO!


Boas festas e que em 2018 muitos novos filmes asiáticos sejam lançados!!
=]

Hideo Gosha: Rank de seus 13 primeiros trabalhos.

Shussho-Iwai-1971-1
Nessa reta final de 2017, prometi a mim mesmo que focaria em terminar os filmes da carreira do grande cineasta japonês Hideo Gosha. Porém, são muitos os trabalhos de 2017 que perdi, e muitos os trabalhos essenciais do cinema japonês que ainda estão na minha ‘watchlist’. Somando isso com grandes filmes do mundo inteiro, são inúmeros trabalhos para se serem levados em conta e muito pouco tempo para se dedicar a eles. Mesmo nas férias da faculdade, ainda tenho meu trabalho para dar conta, esse, que claro, ocupa boa parte dos meus dias.

Foram treze filmes, feitos entre 1964 e 1982 e faltam apenas mais dez filmes (1983 à 1992) para terminar essa filmografia, que até então, não parou de me surpreender.

Antes de dar sequência nos trabalhos de Gosha, resolvi revisitar alguns de seus trabalhos e refletir sobre sobre seus primeiros dezessete anos em atividade, no fim resolvi fazer um rank cobrindo seus treze trabalhos, de acordo com o meu gosto (é claro).

Nove desses trabalhos foram lançados pela Versátil. Sendo oito nas várias caixas ‘Cinema Samurai’ e um na caixa ‘Cinema Yakuza Vol.1’. Violent Streets, Onimasa, Cash Calls Hell e Bandits vs. Samurai Squadron ainda seguem inéditos no país. Em um futuro Cinema Samurai 7, quem sabe “Bandits vs. Samurai Squadron” não seja lançado? E ainda, quem sabe “Violent Streets” não componha a grade de um super aguardado Cinema Yakuza Vol 3? (Plase, Versátil!).

Futuramente gostaria de falar mais aprofundadamente sobre cada um desses trabalhos, mas por enquanto, espero que isso me baste!

01. Os Lobos
02. Tirania
03. Bandits vs. Samurai Squadron
04. A Espada do Mal
05. Hitokiri: O Castigo
06. Violent Streets
07. Cash Calls Hell
08. Três Samurais Fora da Lei
09. Caçadores das Trevas
10. Onimasa
11. Lobo Samurai I
12. Lobo Samurai II
13. O Segredo da Urna

Me senti um pouco incomodado por ver o chambara de fortes influências no wester Três Samurai Fora da Lei tão baixo na minha própria lista, e ainda mais de ver o melodrama Onimasa em 10º. Essas posições podem mudar em futuras assistidas… quem sabe?  Talvez boa parte do público não concorde com a posição alta do super tradicional Violent Streets, mas o meu amor pelos filmes de Yakuza é incondicional, e Noburo Ando como protagonista é algo que sempre almejei em ver. Além disso, ver um diretor como Mr. Gosha fazer algo que se pode comparar aos grandes trabalhos do Mr. Fukasaku, só me alegra ainda mais!

Tirania ainda é o meu favorito entre seus vários filmes de samurai, e Os Lobos (outro trabalho com tema Yakuza), ainda continua sendo o meu favorito de toda sua filmografia. Os Lobos não só continua um belíssimo filme Crepuscular sobre o gênero Yakuza, como também se sobrepõe como um lindo drama sobre honra e até mesmo sobre ‘encontrar o seu lugar no mundo’. O meu amor pel’Os Lobos parece mesmo ser algo que veio para ficar!

“Chasing the Dragon” trailer legendado do novo filme de Donnie Yen e Andy Lau.

https://images-na.ssl-images-amazon.com/images/M/MV5BODU3ZmY1NGYtYmJhZS00NWE0LWJlODMtOGM4Nzk0ZjAxM2UxXkEyXkFqcGdeQXVyMTc3MjY3NTY@._V1_SY1000_CR0,0,800,1000_AL_.jpg

Um imigrante ilegal constrói um império corrupto na Hong Kong ocupada pelos britânicos em 1963, transformando-se no maior chefão das drogas da história de Hong Kong.

– – –

Depois de sua recente passagem por Hollywood, tendo atuado em ‘xXx: Reativado’ e ‘Star Wars: Rogue One’. Donnie Yen (SPL: Killzone) parece estar seguindo os passos do astro Jackie Chan ultimamente, e não para de pular de um projeto para outro. O mais recente projeto do ator é Chasing the Dragon (ainda sem nome oficial no Brasil), filme onde ele interpretará o chefão das drogas Crippled Ho. Uma espécie de Pablo Escobar chinês que fez carreira nos anos 60/70. Não é a primeira encarnação para o cinema de Crippled Ho, uma vez que Poon Man-Kit filmou em 1991, o clássico “To Be Number One” (também sem título oficial no Brasil).
Donnie Yen ainda tem os vindouros Big Brother, Yip Man 4 e Sleeping Dogs em produção (esse último sendo uma adaptação do jogo de mesmo nome).

Os diretores de Chasing the Dragon são: Jing Wong, da trilogia ‘ O Mestre dos Jogos’ com Chow Yun-fat e o iniciante na direção Jason Kwan, que já vem trabalhando com cinematografia à algum tempo mas nunca havia assumido o cargo de diretor.

Claro que o filme não tem previsão de lançamento para o Brasil, já que aqui só existe espaço para os filmes americanos, mas a vasta e maravilhosa internet irá quebrar o nosso galho, já no mês que vem, em janeiro de 2018, quando o filme for lançado em blu-ray nos E.U.A. Claro que trarei minhas impressões do filme, assim que eu por as mãos nele!

 

 

Edit: Confira a crítica aqui!

“Hana-Bi: Fogos de Artifício” de Takeshi Kitano

Hana-Bi+Poster

Existe um espiral sem fim dentro do ser humano que se baseia naquilo que sentimos em relação aos outros ou ao mundo, esse oceano profundo e infinito de emoções é aquilo que nos faz ser quem somos. Independente de suas conquistas, tal vazio é parte constante do ser humano, um abismo na qual aprendemos a conviver, e por vezes, devido à grandes decepções proporcionadas pelo nosso cotidiano, falta de oportunidades ou o acaso sombrio que permeia a morte, tal abismo passa a nos consumir.

Por várias vezes na história do cinema, esse sentimento foi abordado, criando obras depressivas que transbordavam beleza. Yasujirō Ozu por exemplo (para citar apenas um nome), tinha a capacidade de olhar para tal escuridão do cotidiano e recriar, através da sétima arte, histórias incríveis com personagens que estão em constante contato com esse espiral sem fim.

Takeshi Kitano já havia se integrado no mundo cinematográfico 8 anos antes desse seu trabalho, com ‘Policial Violento’ em 1989 e já contava com uma versátil filmografia, passeando pelo experimental (A Scene at the Sea), pela comédia (Getting Any? ), pelo drama (Kids Return ) e claro, pelos filmes de Yakuza (Boiling Point e Sonatine). Mas foi somente em 1997, com Hana-Bi: Fogos de Artifício que Kitano viria a ter seu trabalho reconhecido mundialmente, condecoração que levou seus antigos trabalhos a serem reavaliados pelos críticos. Parte disso, se deve ao fato de Kitano ter ganho o Leão de Ouro (em italiano: Leone d’Oro), que é o galardão máximo concedido pelo júri do Festival Internacional de Cinema de Veneza (Mostra Internazionale d’Arte Cinematografica), pelo seu trabalho em Hana-Bi, onde ele escreveu, dirigiu e atuou.

“Depois de passar por um trauma e ver seu melhor amigo parar na cadeira de rodas, o policial Nishi decide deixar a força para se concentrar em sua esposa, que possui uma doença em estado terminal.” Até mesmo essa sinopse simples já traz uma das grandes sacadas de Kitano, o minimalismo. Hana-Bi conta com ideias subjetivas que sempre estiverem presentes na sua carreira cheia de registros regressistas.

Mesmo não sendo tão abstrato quanto ‘A Scene at the Sea’, Hana-Bi esbanja um sentimento etéreo, com um olhar impalpável sobre as relações de Nishi, com uma câmera de pura leveza que vive em contraste com a violência. E mesmo em seus momentos mais extremos, Hana-Bi consegue a proeza de permanecer imutável.

https://gardemagazine.com/wp-content/uploads/2016/05/saigoncine-free-fr.jpg
Durante essa jornada finita de decisões feitas no ápice desse furacão composto de sentimentos depressivos, Hana-Bi abre espaço para outros dois personagens brilharem. Horibe (Ren Osugi) que não precisa expressar por meio de palavras toda sua solidão. Basta a simples imagem de suas pinturas, e tudo é exposto de forma mais profunda do que qualquer palavra poderia expor. As pinturas que compõe os sentimentos é como a arte dentro da arte. Um dos raros casos em que um diretor faz uso tão estável da arcaica ‘terceira arte‘. Se Horibe é o primeiro de dois personagens que brilham além de Nishi, o segundo é a música de Joe Hisaishi. A sintonia dos trabalhos dos dois (Kitano+Hisaishi) é quase sobrenatural.

Talvez palavras não sejam o bastante para expor o impacto que Hana-Bi me causou. Esse contato com a arte pode abrir os olhos de muitos para a pintura, para a música e para o próprio cinema de arte! O silêncio também é uma característica que compõe essa jornada morro abaixo na estrada da vida, daqueles desafortunados o bastante para se encontrar de frente com o abismo que habita os nossos corações.

Haba-Bi foi lançado no Brasil pela Versátil em DVD. Uma pena não ter sido lançada em blu-ray… Mas acho que estou reclamando de barriga cheia, uma vez que a versão lançada em DVD está em uma boa cópia restaurada (Ainda assim queria o blu-ray)…