Obrigado Blade Runner 2049!

blade-runner-2049-5877e5294e7bf

Qual o sentido de fazer uma carta de agradecimento para um grande diretor que não sabe da sua existência? ou seja, ele nunca vai ler mesmo… E ainda por cima, falar de um filme americano em um domínio reservado para se discutir o cinema asiático? Não faz o mínimo sentido!
Ainda assim, venho por meio de palavras avulsas, agradecer pelo novo “Blade Runner 2049”, sequência do clássico “Blade Runner” (Oh really?) de 1982 dirigido pelo – uma vez grande – diretor Ridley Scott, que na minha humilde opinião, fez o seu último grande filme à quase 10 anos atrás com o frenético e inteligente Rede de Mentiras (Body of Lies, 2008).
Blade Runner 2049 tinha tudo para ser uma péssima sequência, uma vez que Hollywood está em uma fase onde o puro caça níquel feito de CGI parece ter tomado conta, vide Marvel e afins. Meros produtos para o entretenimento do público, feitos visando simplesmente a arrecadação em massa. Objetivo esse, que claro, faz todo o sentido levando em conta o orçamento exorbitante para se concluir um produto desses. O novo Avengers por exemplo, tem um orçamento estimado de quase U$1 bilhão!
Dentro desse mercado, existe a necessidade de se fazer algo à altura dos efeitos especiais atuais, o que por si só, já faria do novo Blade Runner um filme caro. Com um orçamento grande, vem mais uma necessidade incluída, a de arrecadar o dobro para obter lucro, e como virou costume em Hollywood, fazer mais três ou quatro sequências! Dentro desse núcleo de arrecadação, existem riscos que os diretores/estúdios nunca correm. O de fazer um bom enredo! Tal risco, que em produções de 30 anos atrás não seria nada mais do que o esperado de um grande filme!
Graças a todos os envolvidos, muitos riscos foram tomados, e o diretor Denis Villeneuve resolveu submeter sua carreira em ascensão à uma obra com chances enormes de fracassos. Durante a pré-produção, cheguei a ler em algum lugar que tanto ele, quanto Ryan Gosling, já estavam cientes que o filme pudesse não agradar a massa, e consequentemente não ir bem em arrecadação, tornando o filme uma grande bomba para o estúdio. Tal comentário me fez torcer o nariz, exatamente por começar a imaginar o novo Blade Runner com muitas explosões e batalhas em computação gráfica. Um dos meus maiores medos eram ainda a reutilização de pontos seguros, como o novo Star Wars fez, um filme que poderia muito bem não existir, afinal a mitologia não foi expandida, apenas reaproveitando de fórmulas já estabelecidas pela franquia muitos anos atrás.
Felizmente na última semana eu descobri que o novo Blade Runner era muito mais do que um produto caça níquel da atual Hollywood, era em sua melhor forma, um filme. Lento, contemplativo, atmosférico e sem medo de se arriscar. Claro que ainda possui seus defeitos, como constantes flashbacks que existem simplesmente para relembrar o espectador de pontos chaves da trama… mas nada que fira a inteligência do público.
A obra ainda toma a difícil decisão de não explicar em palavras o turbilhão de sentimentos do personagem central “K” (ou “Joe” para os íntimos). Deixando a cargo do público entender por meio de gestos, reações e olhares o que o personagem sente.

Blade-Runner-2049-Trailer-3-50

Em determinado momento, o personagem tem uma difícil decisão a ser tomada, e tudo que ele acredita é colocado à prova. Em um produto tradicional, teríamos um monólogo, ou uma explicação por meio de uma conversa aleatória. Como Blade Runner 2049 é muito mais do que um mero produto, toda a carga emocional é transmitida por imagens e pela hipnótica trilha sonora feita por Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch, que emulam o trabalho atemporal feito por Vangelis para a obra original.
Fadado a falhar nas bilheterias mundiais, por não entregar o que o público de BlockBuster quer (explosões e CGI exagerado), o filme se tornou uma bomba para o estúdio mas que levou esse que vos escreve à pensar, que talvez, bem lá no fundo, ainda exista luz no fim do interminável túnel de faltas de ideias em Hollywood. Fadado ao esquecimento por conta no novo Star Wars que chega no fim do ano, fica aqui o meu agradecimento à todos envolvidos em Blade Runner 2049, por correrem o risco, e por trazerem não um mero produto, mas um ‘filme’!
Obrigado Ryan Gosling, obrigado Harrison Ford, obrigado Denis Villeneuve!
Obrigado Blade Runner 2049!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s