Perigo Extremo (City on Fire) de Ringo Lam.

Em determinado momento de City on Fire (mais uma vez, me recuso a chamar o filme pelo título nacional) Ko Chow (Chow Yun-fat) acaba de chegar em uma boate local, enquanto vai se adentrando no estabelecimento, sendo saldado por conhecidos, Ko Chow ainda se deixa levar ao bom rock chinês dos anos 80, um momento breve, mas que para os mais atentos, notarão a clara homenagem da ótima sequência em que Harvey Keitel dança ao som dos Rolling Stones no início de Caminhos Perigosos. Mas o som aqui em questão é a da cantora chinesa: ‘Maria Cordero’. A música é a mesma que abre esse texto e o motivo de estar ali presente, é o simples fato de que palavras nunca serão o suficientes para se expressar a nostalgia, mas a música, essa sim, instantaneamente nos transporta para essa época distante de nossas vidas.

Essa obra monumental de Ringo Lam, foi realizada, nos já longínquos anos 80, um filme tão repleto da mágica oitentista que você precisa experimentar por si só, ainda mais se você for um amante do cinema asiático, e sendo mais específico ainda, fã dos grandes filmes Heroic Bloosheds provenientes de Hong Kong.

City on Fire possui uma energia que é transbordante do início ao fim e já em seus minutos iniciais, somos instantaneamente transportados para a bela Hong Kong de 1987, onde presenciamos um assassinato em um mercado local. Rapidamente, o mercado está repleto de policiais, e o cenário sangrento já está armado para a trama se desenrolar em suas 1h 41min de duração. Chow Yun-fat não é nenhum rosto desconhecido dos fãs do cinema chinês, muito menos o astro Danny Lee, que juntamente com Yun-fat, estrelaram o clássico absoluto de John Woo: O Matador (1989).

Como sempre, sem entregar muito, a sinopse é a seguinte: “Um policial disfarçado se infiltra em uma gangue de ladrões que planejam  roubar uma joalheria.” Policial infiltrado? Roubo de joalheria? Isso não te lembra nada? Alguém? Claro! O filme de estreia do cineasta americano Quentin Tarantino, o ótimo, Cães de Aluguel. Foi em City on Fire que Tarantino se baseou para criar esse seu prestigiado trabalho… Mas isso é assunto para outra hora.
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Amizade é um constante tema abordado pelo gênero bloodshed, sempre de lados opostos, os improváveis amigos se veem em uma encruzilhada entre a vida e a morte. Esse clichê ainda permeia as produções atuais, porém sentar-se para ver City on Fire é levar em consideração que estamos falando de uma produção de trinta anos de idade. No quesito ação, o longa continua super atual, os tiroteios do diretor Ringo Lam são um grande balé de violência, algo que agrada e muito os fãs do gênero.


Obs.: Filme nunca lançado em DVD no Brasil.

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