Crítica: PARADOX [2017] de Wilson Yip

Atenção: Esse texto possui um pequeno spoiler sobre o universo da franquia SPL!
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Dez anos atrás, em 2008, Wilson Yip lançava o primeiro Yip Man. Filme que rendeu mais duas continuações e que além de estar sendo planejado um quarto filme, ainda conta com um spin-off nos planos, ambos para serem lançados em 2018. Além da franquia Yip Man, Wilson Yip iniciou uma outra franquia de sucesso, um pouco menos conhecida por aqui, mas igualmente famosa em seu país de origem. A franquia em questão é: “SPL: Sha Po Lang“.

Iniciada em 2005 com o filme Kill Zone (título internacional) e lançado aqui no Brasil como ‘Comando Final’. A franquia contava com Donnie Yen (um recorrente na filmografia de Yip) e Sammo Hung (Dragões para Sempre), que também criou as coreografias. Em 2015, o diretor Cheang Pou-soi  (A Lenda do Rei Macaco) realizou a primeira sequência de Kill Zone, chamada de SPL II: A Time For Consequences (ainda sem previsão de lançamento para o Brasil), o elenco era composto por Tony Jaa (O Protetor), Wu Jing (Wolf Warrior), Simon Yam (Eleição: O Submundo do Poder), Zhang Jin (Yip Man 3) e Louis Koo (Drug War). Mesmo com a ausência de Sammo Hung e Donnie Yen, o filme foi um sucesso, devido ao seu elenco cheio de estrelas e um trabalho técnico sensacional!

Com base no sucesso, Wilson Yip retornou para a franquia como diretor/produtor e trouxe consigo ninguém menos do que o lendário Sammo Hung, dessa vez, para dirigir as cenas de ação. Embora a franquia obviamente compartilhe o mesmo universo, seus personagens não são relacionados de um filme para o outro. Paradox sequer gasta tempo fazendo menções à personagens importantes da franquia, funcionando mais como um “What If..?” do que de fato uma continuação.

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Inicialmente divulgado pela imprensa internacional, como o novo filme do ator Tony Jaa (como eu mesmo disse aqui), e que de fato, contém a participação de Tony Jaa (mas apenas como uma ‘participação especial’). Nos primeiros trailers de Paradox, muitas cenas do astro foram exibidas (cenas que estão no filme, não se preocupem), o que causou muita confusão quanto à seu tempo de tela nesse novo filme. Se o que queres é sentar, e ver um filme desse ator em específico, já lhe adianto, que ficará decepcionado, pois seu tempo é realmente curto e seu destaque, é mínimo.

Se em SPL II, Louis Koo tinha feito uma participação especial, e Jaa assumido um dos papeis principais, em Paradox ambos trocam os papeis, Koo é o personagem central da trama, juntamente com Wu Yue.

Paradox é mais modesto do que SPL II quanto à lutas contendo Wire fu (combinação das palavras wire work + kung fu), que são aquelas lutas onde os atores ficam presos à cabos para ajuda-los a lutar no ar ou dar pulos que desafiam a física. Na verdade, a palavra modesto pode definir essa nova entrada na franquia SPL. A começar pela trama simples de pai desesperado que tenta resgatar a filha, sequestrada por traficantes de órgãos…

Yip tentou trazer certa originalidade para a franquia (mesmo que SPL II também lide com sequestro…) e infelizmente, o roteiro de Paradox é uma bagunça do início ao fim, seja por personagens mal desenvolvidos, ou por decisões absurdas tomadas por certos personagens (algumas que até os levam a morte).

O trabalho de câmera é fenomenal, como de costume das produções do diretor. Sempre nos colocando por dentro de cada golpe desferido pelos personagens em cena e fazendo uso de ângulos alternados.

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Existe um padrão de violência seguido nas produções do gênero, porém, Paradox não é nem um pouco sangrento, nas cenas de confrontos de arma branca por exemplo, sempre tem um truque esperto para esconder o excesso. De fato, Paradox é modesto até mesmo em meio as suas cenas mais violentas e pesadas.

Existe uma tentativa de reviravoltas sombrias para quebrar a simplicidade do roteiro. Embora esses plot twists brinquem com a expectativa do espectador, ainda falta muito para causar o choque. Mesmo que o roteiro não seja importante em muitas produções de ação e sequer se levam a sério, obras de ação cujo o roteiro é construído para sustentar o longa independente da pancadaria e tiroteios, são muito mais arriscados. Falta o equilíbrio em Paradox, o equilíbrio da seriedade que a própria trama parece construir.

Ação e drama são sempre dois gêneros arriscados de se mesclar, nesse aspecto, Paradox deixa, mais uma vez, muito a desejar. Um desbalanceamento enorme entre a trama séria e os movimentos conflitantes dos personagens, que caminham para uma conclusão no mínimo obscura. Na busca do impacto dramático, o longa se perde entre os dois gêneros e no fim, não consegue ser excelente em nenhum dos dois, muito menos ser imparcial em meio a sua própria proposta. Para piorar, ainda existe o uso constante da coincidência como um elemento narrativo.

Apesar de possuir sequências de ação muito bem estruturadas, Paradox não consegue apresentar nada novo para a franquia, e é disparado o mais fraco da série de filmes SPL até o momento. Levando-se em consideração os últimos trabalhos do diretor, o filme consegue ser ainda mais decepcionante.

Violência: 01/05

Nota Final: 02/05

 

 

 

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