Crítica: Oldboy (2003) de Park Chan-wook

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vingança
substantivo feminino
  1. 1.
    ato lesivo, praticado em nome próprio ou alheio, por alguém que foi real ou presumidamente ofendido ou lesado, em represália contra aquele que é ou seria o causador desse dano;
  2. 2.
    qualquer coisa que castiga; castigo, pena, punição.

 

Ria e o mundo rirá com você, chore e você chorará sozinho.’ Essa é apenas uma das muitas camadas agregadas n’A tragédia de Oh Dae-su (Choi Min-sik em grande atuação). A primeira vez que nos encontramos com ele, é em meio à muita confusão, em uma delegacia, preso por bebedeira. Um homem comum, famoso por cobiçar mulheres alheias, inconsequente por sua própria natureza. A vergonha alheia daqueles que o assistem se chocam com o humor dos cortes de uma situação absurda para outra. É da natureza humana rir de situações constrangedoras, quando essas não nos enquadram — também é da nossa natureza sentir pena daqueles que sofrem nas mãos dos opressores.

Quando essa situação se resolve, encontramos Oh Dae-su preso em um quarto, sozinho, indignado com a situação em que se encontra. Trancafiado sem saber o motivo, sem saber por quem, são momentos iniciais angustiantes. Desde então acompanhamos sua jornada entre quatro paredes, suas loucuras, reflexões e ambições. No canto, uma TV, essa seria sua professora, seu guia, sua informante e sua amante.

‘Se eu soubesse que teriam sido 15 anos, teria sido mais fácil?’

O exílio forma a autoavaliação, e subsequentemente, a paranoia. O Óxido nitroso vem por debaixo da porta, Oh Dae-su cai em um sono profundo, ao acordar, suas roupas foram trocadas, seu cabelo cortado, seu DNA extraído e seus ferimentos tratados. Não se preocupe, você não está aqui para morrer, essa é a mensagem que vem de fora. Na solidão da noite, é hora de cavar, a fuga é uma razão para se viver.

Através da sua informante, notícias do mundo exterior, sua esposa foi morta, vestígios de seu DNA encontrado na cena do crime, longe de sua realidade, agora é um criminoso procurado pelas autoridades. É hora de planejar a vingança!

Depois de 15 anos, com a mesma naturalidade de seu encarceramento, Oh Dae-su é solto. Não existe mais um lar para se retornar, agora nos resta acompanha-lo em sua jornada para descobrir o motivo, e consumar sua vingança contra o(s) indivíduo(s), isso é tudo que o restou, é para isso que treinou seu corpo e sua mente.

Agora um novo homem, deslocado nesse novo mundo, composto por novas gírias e com muitos novos detalhes para se admirar. Será que 15 anos de shadow boxing podem ser colocados em prática?

Em um restaurante, Dae-su ordena um polvo vivo, consumir uma vida o faria se sentir mais vivo, talvez parte de sua alma tenha se extinguido, se apagado naquele quarto, sua prisão. Na chef do restaurante encontra-se uma aliada, um conforto, sua informante (a TV) o ensinou que ela era uma importante chef de cozinha da região, seu nome é Mi-do (Kang Hye-jeong).

Juntos eles partem atrás de respostas, um longo caminho tortuoso, cheio de becos sem saídas. Quanto mais perto da verdade se chega, mais violento seu caminho se torna. São confrontos com câmeras precisas, com plano sequência e com muito realismo. A cinematografia esverdeada de Chung Chung-hoon (A Criada) é um espelho para a realidade percorrida pelo personagem, poucas vezes essa paleta é alterada, apenas durante momentos de respostas, flashbacks, lembranças de um passado distante.

Em seu clímax, Choi Min-sik é brilhante! Park Chan-wook segura a revelação final até o último segundo, sugando nossas expectativas. Uma obra de difícil análise, sem adiantar elementos importantes, quanto menos souber sobre o enredo, mais delicioso esse prato frio será digerido.

Uma tragédia grega, sem os deuses, mas com a seriedade. A fantasia ainda está lá, em seus detalhes, ou em sua arquitetura, como na sequência do corredor (ou do martelo), filmado em plano sequência, onde o diretor distorce o local em prol da circunstância.

Quando se sentar para acompanhar A Tragédia de Oh Dae-su tenha sempre em mente que: quer seja um grão de areia ou pedra, na água ambos afundam igualmente. 

O longa é baseado no mangá de mesmo nome, escrito por Garon Tsuchiya e ilustrada por Nobuaki Minegishi. É o quinto registro da grande carreira do cineasta sul coreano Park Chan-wook e o segundo da trilogia da vingança (Mr. Vingança e Lady Vingança são os demais). Vencedor do Grand Prix na edição de 2004 do Festival de Cannes. É também um dos filmes responsáveis por colocar o cinema sul coreano no mapa!

XX

Avaliação: ★★★★★ (Ótimo)
Duração: 2 hr (120 min)
Idioma: Coreano
Atores: Choi Min-sik, Yu Ji-tae, Kang Hye-jeong
Diretor: Park Chan-wook

 

Obs.: passe longe do remake americano!

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