Crítica: A Vilã (The Villainess), trabalho técnico de altos e baixos com enredo esquecível.

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Um dos muitos filmes asiáticos esperados por mim em 2017, era exatamente a obra ultra violenta de Jung Byung-gil “A Vilã”. O filme serviria como uma espécie de redenção minha em relação ao trabalho de Byung-gil, uma vez que sua obra máxima até então (não que ele tenha muitos trabalhos), Confissão de Assassinato, não me agradou de praticamente nenhuma forma (apenas o aspecto técnico me agradou). Apesar do hype, não foi dessa vez que entrei em sintonia com o trabalho do diretor.
Exibido no ‘Festival do Rio 2017‘ com o nome válido de A Vilã, o filme se mostra extremamente fiel a todos excessos prometidos em seu anúncio: Muita ação, muita violência e uma Kim Ok-bin badass! Confesso que não assistia nenhum projeto com ela desde 2009 com o primoroso “Sede de Sangue” de Park Chan-wook. Outro rosto conhecido que não via já à algum tempo era o de Shin Ha-kyun, que também trabalhou em Sede de Sangue mas que talvez você o conheça como o protagonista mudo de Mr. Vingança! Já não bastasse o elenco animador, toda a premissa do filme já se mostrava interessante para saciar a sede de sangue de muitos espectadores e aficionados pelo cinema Sul Coreano, inclusive a minha!
O filme começa com uma sequência em primeira pessoa, bem no estilo Hardcore Henry, só que mais polida. É fácil se deixar levar nos primeiros minutos de The Villainess, onde Sook-hee (Kim Ok-bin) sai distribuindo pancadas em uma sequência bem conduzida e brutal, com acrobacias mirabolantes, lutas de facas, tiroteio e muito violência. Em determinado momento, a câmera decide deixar a visão em primeira pessoa e finalmente nos mostrar o estilo original criado pelo diretor para demonstrar toda a ação. Sem o uso de cortes rápidos, o diretor optou por usar ângulos fora do padrão enquanto a ação ocorre, além de fazer tudo parecer um longo plano-sequência, mas que na verdade são cenas filmadas de formas independes e corrigidas com o uso de CGI para parecer ininterrupto. Falando em computação gráfica, Jung Byung-gil parece ter feito um propósito de abusar de CGI em certas sequências, o que me causou muito desconforto enquanto as asistia, uma vez que detesto o excesso de CGI em filmes de ação.
A Vilã
Em certos momentos do longa, Byung-gil parece se desligar um pouco de tudo que construiu no início e decide apelar para algumas técnicas preguiçosas durante cenas de ação, com o uso de cortes rápidos e da terrível Shaky Cam, que inclusive, essa última, defendida por alguns entusiastas como uma “escolha de design”. Nenhuma palavra enfeitada nesse mundo pode tirar da minha cabeça que isso não passa de preguiça e falta de competência. O estranho é ver Jung Byung-gil alcançar um patamar de técnicas incríveis para se filmar algumas sequências de ação, como na batalha final dentro de um ônibus por exemplo, onde os ângulos são fenomenais e totalmente inusitados, fazendo por vezes me perguntar “Como diabos filmaram isso?” e em outras abusar do “Slow Motion CGI” padrão dos esquecíveis filmes de super heróis de hoje em dia e ainda descer mais o nível e fazer o uso da famigerada câmera balançando. The Villainess é sem dúvida nenhuma uma mistura técnica absurda, um turbilhão de êxtases e decepções.
Nesse ponto você talvez esteja se perguntando: “Mas e quanto ao enredo do filme?”. Pois é… e o enredo?… Acho que se esqueceram de fazer um e optaram por pegar uma história aleatória de alguma novela mexicana por aí…

Avaliação: ★ (Muito ruim)
Duração: 2 hr 9 min (129 min) 
Idioma: Coreano
Elenco:  Kim Ok-bin, Shin Ha-kyun, Jun Sung
Diretor: Jung Byung-gil

 

Obrigado Blade Runner 2049!

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Qual o sentido de fazer uma carta de agradecimento para um grande diretor que não sabe da sua existência? ou seja, ele nunca vai ler mesmo… E ainda por cima, falar de um filme americano em um domínio reservado para se discutir o cinema asiático? Não faz o mínimo sentido!
Ainda assim, venho por meio de palavras avulsas, agradecer pelo novo “Blade Runner 2049”, sequência do clássico “Blade Runner” (Oh really?) de 1982 dirigido pelo – uma vez grande – diretor Ridley Scott, que na minha humilde opinião, fez o seu último grande filme à quase 10 anos atrás com o frenético e inteligente Rede de Mentiras (Body of Lies, 2008).
Blade Runner 2049 tinha tudo para ser uma péssima sequência, uma vez que Hollywood está em uma fase onde o puro caça níquel feito de CGI parece ter tomado conta, vide Marvel e afins. Meros produtos para o entretenimento do público, feitos visando simplesmente a arrecadação em massa. Objetivo esse, que claro, faz todo o sentido levando em conta o orçamento exorbitante para se concluir um produto desses. O novo Avengers por exemplo, tem um orçamento estimado de quase U$1 bilhão!
Dentro desse mercado, existe a necessidade de se fazer algo à altura dos efeitos especiais atuais, o que por si só, já faria do novo Blade Runner um filme caro. Com um orçamento grande, vem mais uma necessidade incluída, a de arrecadar o dobro para obter lucro, e como virou costume em Hollywood, fazer mais três ou quatro sequências! Dentro desse núcleo de arrecadação, existem riscos que os diretores/estúdios nunca correm. O de fazer um bom enredo! Tal risco, que em produções de 30 anos atrás não seria nada mais do que o esperado de um grande filme!
Graças a todos os envolvidos, muitos riscos foram tomados, e o diretor Denis Villeneuve resolveu submeter sua carreira em ascensão à uma obra com chances enormes de fracassos. Durante a pré-produção, cheguei a ler em algum lugar que tanto ele, quanto Ryan Gosling, já estavam cientes que o filme pudesse não agradar a massa, e consequentemente não ir bem em arrecadação, tornando o filme uma grande bomba para o estúdio. Tal comentário me fez torcer o nariz, exatamente por começar a imaginar o novo Blade Runner com muitas explosões e batalhas em computação gráfica. Um dos meus maiores medos eram ainda a reutilização de pontos seguros, como o novo Star Wars fez, um filme que poderia muito bem não existir, afinal a mitologia não foi expandida, apenas reaproveitando de fórmulas já estabelecidas pela franquia muitos anos atrás.
Felizmente na última semana eu descobri que o novo Blade Runner era muito mais do que um produto caça níquel da atual Hollywood, era em sua melhor forma, um filme. Lento, contemplativo, atmosférico e sem medo de se arriscar. Claro que ainda possui seus defeitos, como constantes flashbacks que existem simplesmente para relembrar o espectador de pontos chaves da trama… mas nada que fira a inteligência do público.
A obra ainda toma a difícil decisão de não explicar em palavras o turbilhão de sentimentos do personagem central “K” (ou “Joe” para os íntimos). Deixando a cargo do público entender por meio de gestos, reações e olhares o que o personagem sente.

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Em determinado momento, o personagem tem uma difícil decisão a ser tomada, e tudo que ele acredita é colocado à prova. Em um produto tradicional, teríamos um monólogo, ou uma explicação por meio de uma conversa aleatória. Como Blade Runner 2049 é muito mais do que um mero produto, toda a carga emocional é transmitida por imagens e pela hipnótica trilha sonora feita por Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch, que emulam o trabalho atemporal feito por Vangelis para a obra original.
Fadado a falhar nas bilheterias mundiais, por não entregar o que o público de BlockBuster quer (explosões e CGI exagerado), o filme se tornou uma bomba para o estúdio mas que levou esse que vos escreve à pensar, que talvez, bem lá no fundo, ainda exista luz no fim do interminável túnel de faltas de ideias em Hollywood. Fadado ao esquecimento por conta no novo Star Wars que chega no fim do ano, fica aqui o meu agradecimento à todos envolvidos em Blade Runner 2049, por correrem o risco, e por trazerem não um mero produto, mas um ‘filme’!
Obrigado Ryan Gosling, obrigado Harrison Ford, obrigado Denis Villeneuve!
Obrigado Blade Runner 2049!

Um breve olhar nos primeiros dez anos da carreira de HIDEO GOSHA.

Quando estou começando a me adentrar em um novo gênero, nunca começo pelos nomes óbvios e mais conceituados. Então quando comecei a me aprofundar no gênero Samurai não fui direto para os trabalhos do Kurosawa, um dos nomes mais fortes internacionalmente do gênero. Isso me ajuda a criar um solo básico que será útil mais pra frente quando começar a ver os nomes mais famosos do gênero, pois através dessa bagagem do gênero eu posso perceber nas obras mais conceituadas o que as tornaram mundialmente famosas e o motivo do status de revolucionário!
Depois de meses com grandes diretores como Shinoda, Kobayashi, Misume e outros eu finalmente irei começar à ver trabalhos do cineasta mais conceituado no gênero: Akira Kurosawa.
Mas durante minha jornada pelo sólido caminho do Bushido (literalmente ‘caminho do guerreiro’), encontrei um nome que teve um enorme impacto em mim: Hideo Gosha! 
Eu cobri os dez primeiros anos da carreira desse cineasta que atuou entre 64 e 92, com 23 trabalhos no currículo, tive contato com os 10 primeiros filmes dele (Feitos entre 64 e 74).

Três Samurais Fora da Lei – Three Outlaw Samurai (1964)

Esse é um dos chambara mais divertidos que já vi!
Primeiro filme do mestre Gosha, essa obra pega muita influência do faroeste spaghetti com muito humor negro, violência e diálogos vorazes. Talvez esse seja o filme de samurai mais acessível do diretor.

A Espada do Mal – Sword of the Beast (1965)

Uma das fotografias mais lindas de uma floresta que já vi em um filme preto e branco.
É uma obra bem atmosférica, hilária e um pouco sombria.
Diferente de seu primeiro filme, A Espada do Mal é um filme mais sério e também marca o primeiro trabalho do diretor com ator ‘Kunie Tanaka’ que viria a trabalhar com o diretor em muitos outros trabalhos.

Cash Calls Hell (1966)

Se Três Samurais Fora da Lei foi o seu Faroeste Spaghetti então Cash Calls Hell é seu filme noir! Nesse drama criminal de 1966, Hideo Gosha trabalhou pela primeira vez com o meu ator favorito de todos os tempos, Tatsuya Nakadai (A Espada da Maldição.)
Cash Calls Hell abre com um assalto mostrado em negativo, uma sequência um tanto quanto peculiar. O filme conta também com mais uma participação de Kunie Tanaka.
A sinopse básica é a seguinte:
Antes de sair da prisão, Oida (Nakadai) faz um acordo com seu colega de cela que em troca de metade de 30,000,000 yen, Oida teria que assassinar três estranhos.
Infelizmente o filme segue inédito no Brasil, nunca tendo sido lançado nem mesmo em VHS mas que você pode achar na vasta internet.
Como de praxe, Tatsuya Nakadai da um show de interpretação nesse filme estiloso composto por uma trilha sonora repleta de Jazz!

O Segredo da Urna – Sazen Tange and The Secret of the Urn (1966)


Logo cedo, na minha jornada pelo cinema samurai, topei com as franquias mais tradicionais do gênero, a saga de Sazen Tange foi uma delas, para efeito de comparação é como a franquia de Zatoichi, com inúmeros filmes e até mesmo livros, se estendendo com o passar dos anos ainda que de forma independente.
Essa versão do Mestre Gosha é uma aposta bastante segura do diretor, sem correr muitos riscos fora do padrão da série. O que mais gosto nessa versão é o canastrão “Kinnosuke Nakamura” que interpreta o personagem central.

Lobo Samurai – Samurai Wolf (1966)


Se Hideo Gosha um dia fosse escrever um mangá, Lobo Samurai seria o nome. Esse filme parece pegar influências dos mangás mostrando batalhas de espadas bem estilizadas com bastante violência e personagens cartunescos.
Detalhe: Não está errado, este é realmente o terceiro filme do diretor lançado em 1966. O ano mais ativo da carreira do diretor.

Lobo Samurai II – Samurai Wolf II (1967)


Ele fez uma sequência para o filme/mangá um ano depois.
Dentre as dez obras aqui citadas, esse talvez seja o mais fraco, não que o filme seja ruim, muito longe disso! O fato é que o filme reutiliza as ideias preestabelecidas no primeiro volume de Lobo Samurai.
Essa segunda parte só reforça mais ainda a ideia de que Gosha talvez tenha se inspirado em mangás para fazer a obra.

Tirania – Goyokin (1969)


Tirania não é só um dos melhores filmes do diretor ou do gênero, é um dos melhores que já vi na vida!
Foi aqui que minha paixão pelo trabalho de Tatsuya Nakadai começou a se consolidar.
Segunda vez que trabalham juntos (Gosha + Nakadai). Meu trabalho favorito do mestre da fotografia Kôzô Okazaki (Operação Yakuza), e um dos retratos mais avassaladores que já vi do Xogunato.
Não é a toa que o filme se enquadra no “Jidaigeki cruel”, que assim como Harakiri (outra obra prima estrelada por Nakadai) nos mostra um olhar aprofundado do abuso de poder dos Lordes Feudais.
Não simplesmente recomendo esse filme para amantes de filmes de samurai, ou filmes asiáticos mas sim para todos amantes do cinema!

Hitokiri: O Castigo – Tenchu! (1969)


Talvez o filme mais conhecido do diretor. Hitokiri conta com minha atuação favorita de Shintarô Katsu (o eterno ‘Zatoichi’).
O filme é muito cru, com uma dose bem elevada de violência, o sangue inclusive se tornaria ainda mais comum nas duas próximas obras do diretor. Ainda mais violento do que Lobo Samurai Hitokiri ainda encontra tempo para fazer uma crítica ao Xogunato, assim como foi o caso de Tirania. O filme tem um final bem impactante, para não dizer brutal!

Os Lobos – The Wolves (1971)
Depois de um grande confronto entre dois clãs Yakuza, Seji Iwahashi (Tatsuya Nakadai) e vários outros envolvidos no conflito são presos. Antes de cumprir a pena Seji e todos os envolvidos no conflito (amigos e inimigos) são libertados, e se deparam com uma inusitada aliança entre ambos os clãs. Com isso, os recém libertos membros tem que lutar contra a própria angústia e conviver com o inimigo.

Primeiro filme YAKUZA dirigido por Hideo Gosha!
Também marca a terceira contribuição com o ator Tatsuya Nakadai, que aqui entrega uma de suas melhores atuações.
É incrível como Hideo Gosha antecipa o crepúsculo do gênero com um olhar depressivo e cruel do mundo da Yakuza. Um filme contemplativo, com uma violência visceral e um clímax arrebatador. O meu favorito do diretor até o momento em que escrevo (ainda faltam mais 13 filmes do diretor para ver) e assim como TIRANIA esse é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos! Atmosférico e brutal.

Violent Streets (1974)


Outro filme da Yakuza e infelizmente, assim como Cash Calls Hell, nunca viu a luz no Brasil.
Dessa vez, um filme de yakuza mais tradicional.
Aqui temos Noboru Andô como protagonista (ele também trabalhou em Os Lobos).
Interessante notar que a obra reuni Noboru Andô e Bunta Sugawara novamente depois de Street Mobster de Kinji Fukasaku mantendo os mesmos padrões de personagens para ambos os atores.
Talvez Hideo Gosha tenha gostado tanto de Street Mobster que ficou com vontade de fazer sua própria versão da Yakuza suja e ultra violenta, porém invertendo o foco nos personagens. Independente disso, o filme é um dos mais divertidos da carreira de Gosha, até o momento sempre estive acostumado a ver Noboru Andô em segundo plano, como coadjuvante, então vê-lo como personagem principal pela primeira vez foi gratificante uma vez que sempre queria ver esse ator mais tempo em tela.
Violent Streets é um dos filmes Yakuza mais violentos dos anos 70 não dirigido por Fukasaku. Adoro ver Noboru Andô atuando como um chefe da Yakuza, uma vez  que na vida real ele foi membro da própria Yakuza antes de se tornar um ator.

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Com Violent Streets, os dez primeiros anos de Hideo Gosha como diretor foram cobertos. Ainda gostaria de escrever sobre cada uma deles separadamente futuramente, pois para cada obra muitas palavras podem ser expressadas sobre o que senti vendo. Quem sabe futuramente?
Felizmente ainda tenho mais 13 projetos do diretor para ver!

Sonatine (1993) de Takeshi Kitano.


Durante os anos 50 e 60 houve uma explosão de filmes da Yakuza no Japão, dirigidos por grandes mestres da época como o esteta do absurdo Seijun Suzuki, Kiyoshi Saeki, Masahiro Shinoda e muitos outros. Esse gênero começou a mudar depois que Kinji Fukasaku apareceu com seus filmes de yakuza contendo muita violência gráfica, apresentando uma visão mais cruel do mundo da yakuza e desconstruindo todo o período Ninkyo eiga. Isso causou uma nova onda de filmes da yakuza seguindo esse estilo, as obras centravam mais nos homens da Yakuza do que na própria Yakuza.

Durante os anos 80, o gênero começou a ruir e tinha pouco espaço no Cinema Japonês, com pouquíssimas exceções. O mercado japonês era dominado por filmes voltado para o público mais feminino jovem nos anos 90, mais sobre isso pode ser visto no super descontraído extra do ótimo BOX Cinema Yakuza da Versátil que contém é claro, uma versão belíssima versão do filme Sonatine, além de outros filmes INCRÍVEIS do gênero!

Em 1993, no meio desse mercado, surgiu Takeshi Kitano com Sonatine, seu quarto filme. E sozinho conseguiu revitalizar o gênero, Kitano faz uma mistura única do Ninkyo eiga com o Jitsuroku eiga, criando um estilo único. Sonatine não é o tradicional filme de Yakuza, o filme tem uma abordagem muito mais contemplativa, se distanciando dos tradicionais contos brutais sobre honra (pegou a referência?) da Ninkyo eiga. A obra de Kitano é mais sobre como o ser humano em constante contato com a violência acaba ‘futilizando’ a brutalidade de um ato de violência, tornando a violência em só mais uma coisa rotineira.

Sonatine foi o primeiro filme de Yakuza que eu vi, e o primeiro do mestre Kitano. O final abrupto e a forma como Kitano filmou o clímax e todas as cenas de violência também são responsáveis por despertar o meu interesse em filmes japoneses em geral. Um filme muito importante para mim que sempre gosto de recomendar para amantes do cinema.

Hilário, contemplativo, depressivo, violento e em certas partes experimental. A obra conta com um desfecho que sempre vai estar comigo, essa grande obra de arte é ainda mais apreciada com a hipnotizante trilha do grande colaborador de Kitano “Joe Hisaishi” da qual talvez você conheça de A Viagem de Chihiro e grandes outros lindos trabalhos do Studio Ghibli.

 

A linda trilha sonora pode ser ouvida completa em grande qualidade no Spotify:

https://open.spotify.com/embed/album/31Tq7nFq4nstjqQlQ7gzGH

Lee Byung-Hun e Kim Yun-Seok no trailer de ‘The Fortress’.

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Do aclamado diretor de Silenced e Miss Granny chega em 2017 The Fortress (aka Namhansanseong), o novo trabalho do diretor sul coreano Hwang Dong-Hyuk. Baseado no livro de Kim Hoon, esse thriller épico tem no elenco Lee Byung-Hun (Inside Men, Eu vi o Diabo), Kim Yun-Seok (Mar Sangrento) e Park Hae-Il (O Hospedeiro).

The Fortress será lançado na Coreia do Sul em setembro de 2017.

 

Fonte: [AsianWiki]

Trailer: “Triple Threat” (Tony Jaa, Tiger Chen e Iko Uwais).

Foi anunciado na Comic-Con o primeiro trailer do filme Triple Threat, dirigido por Jessie V. Johnson!

O filme vai contar com um elenco de encher os olhos:
Tony Jaa (Skin Trade, Ong Bak), Tiger Chen (O Homem do Tai Chi), Iko Uwais (Operação Invasão, Merantau), Michael Jai White (Lutador de Rua), Scott Adkins (O Imbatível III, Soldado Universal 4 – Juízo Final), o lutador da UFC Michael Bisping (xXx: Reativado), Celina Jade (Skin Trade), Jeeja Yanin (Chocolate) e Michael Wong (Beast Cops)

Street Mobster (1972) de Kinji Fukasaku


Dirigido pelo mestre da violência estética Kinji Fukasaku, Street Mobster é um filme de 1968 que marca uma das colaborações entre o ator Bunta Sugawara e o diretor, parceria que viria a ser reprisada inúmeras vezes, tendo seu ápice já no ano seguinte com o início da saga “Os Documentos da Yakuza”, um dos grandes marcos não só do Cinema Yakuza, mas do Cinema Japonês em geral.

Street Mobster é um daqueles filmes do chamado Jitsuroku eiga , que diferente do Ninkyo eiga, retratava a Yakuza no Japão pós-guerra, não como gangster glamorosos que seguiam o Bushido (código de honra do samurai) mas como gangster sem regras, sem limites, que viviam nos subúrbios e perseguiam o seu próprio desejo.

O filme já começa nos mostrando de perto muitas das atrocidades cometidas por um grupo de gangsters rebeldes que fazem uso da violência no seu dia a dia de forma trivial, inclusive a câmera de Fukasaku é essencial para nos jogar direto na ação. Fukasaku tem um jeito bem autoral de filmar, em forma de documentário, com ângulos diferenciados do tradicional.

Bunta Sugawara parece ter nascido para os papeis de gangsters de baixo nível, tanto que o ator reprisou personagens semelhantes inúmeras vezes em sua carreira, mas o destaque de Street Mobster fica com Noboru Andô. Se Bunta nasceu para ser o gangster low level, Noboru nasceu para ser o gangster glamoroso dos anos 70!
O ator possui uma presença invejável, é só ele passar pela porta, que o ator rouba toda a cena. Talvez toda a presença de gangster, se deva ao fato de que Noburo foi um Yakuza na vida real, muito antes de ser um ator!

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Dois anos depois, em 1974, Noboru Andô viria reprisar o papel de BOSS, em um trabalho que também reuniria Bunta Sugawara, o filme em questão é Violent Streets (também conhecido como Violent City), dirigido por um dos melhores diretores de samurai, e um dos meus diretores favoritos: O mestre Hideo Gosha!

A violência em Violent Mobster é tão marcante quanto em outros grandes trabalhos de Fukasaku, talvez um dos diretores mais violentos do Cinema Yakuza.
A sinopse, sem adiantar muito, é a seguinte: Isamu Okita (Bunta Sugawara), um punk de baixo nível, se une à outros gangsters de rua para tomar um território pequeno, para chamar de seu. Porém as coisas saem do controle e entre a vida e a morte, Isamu se vê sem escolhas, a não ser entrar para a gangue de Yato (Noboru Andô), um respeitado chefe local da Yakuza. O filme ainda conta com muitos outros personagens, mas como é uma obra curtinha, de apenas uma hora e meia, não quero adiantar muito os outros personagens para não estragar a experiência.

Se você nunca viu um filme da Yakuza, talvez Street Mobster não seja a melhor porta de entrada, uma vez que esse Jitsuroku eiga é extremo em vários níveis. Como estamos falando de Kinji Fukasaku, não preciso frisar que o filme é ultra violento. A paleta de cores não diferencia muito dos outros trabalhos do diretor, e a história contém um desfecho satisfatório, de acordo com a mensagem que o filme quer lhe passar.

Todo o ódio de Isamu talvez seja incompreensível para algumas pessoas, afinal o filme já nos joga em meio à toda essa confusão mas para aqueles por dentro do contexto histórico do Japão na época em que o filme se passa, todo esse ódio será compreendido.
Por tanto, uma rápida pesquisa para se situar será muito bem vinda.

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Street Mobster
é doentio, violento e muito bem dirigido pelo mestre Fukasaku. Não tem como não gostar se você é fã da Yakuza, ou simplesmente das bizarrices de Takashi Miike, inclusive é interessante notar as influências que Miike pegou através da filmografia de Fukasaku, vindo até a refilmar um outro grande filme de Fukasaku, Alugados pelo Inferno (Graveyard of Honor).

Violência: 04/05

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Nota Final: 04/05
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Crítica: “Asura: The City of Madness” (2016)

Um dos filmes mais aguardados de 2016 para esse que vos escreve, era Asura: The City of Madness dirigido por Kim Sung-su (The Warrior). O longa marca a quarta colaboração do diretor com o ator Jung Woo-sung e ainda conta com grandes nomes como Hwang Jung-min e Kwak Do-won (ambos trabalharam juntos em O Lamento).

A fim de pagar as despesas médicas de sua esposa diagnosticada com câncer terminal, o detetive Han Do-kyung age fora dos eixos, trabalhando atualmente para o prefeito da cidade de Annam: Park Sung-bae, que é ainda mais corrupto! Park quer impulsionar um contrato de desenvolvimento que transformará as favelas da cidade em moradias modernas e lhe dará milhões no processo. Para fazê-lo, ele está disposto a ir a qualquer extremo, com Han sendo aquele que cuida do “trabalho sujo”.

Embora todo o contexto de policial corrupto que trabalha fazendo o trabalho sujo pra alguém não seja algo novo, já tendo sido abordado em ótimos filmes, ASURA pega esse contexto e o aborda de uma forma um tanto quanto original, expandindo a gama de personagens envolvidos na pilantragem e dando tempo em tela para esses personagens serem desenvolvidos, se aprofundando muito bem em toda uma rede de corrupção existente ao redor de Park Sung-bae.

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A obra é taxada de “Drama criminal de ação”, embora o filme contenha elementos de ação, ele não é uma obra que se enquadre no gênero. Apenas ‘drama criminal’, é algo mais certo para generalizar ASURA. São muitos os momentos com tom dramático e muitos, muitos diálogos, o que poderá frustrar os que estão no clima para uma boa ação, mas isso não significa que ASURA seja um filme parado, longe disso, o diretor Kim Sung-su fez um ótimo trabalho em criar um clima constante de tensão com diálogos afiados entre os personagens. Todas cenas contribuem para o andamento do longa, que tem duração aprox. de 2h 12min.

As sequências de ação são muito bem feitas, mesclando um ótimo trabalho de câmera com a presença modesta de um CGI de ponta. Kim Sung-soo conseguiu criar um universo crível onde ninguém é decente, todos os personagens em tela estão ligados ao submundo do crime de alguma forma. O prefeito de Annam, Park Sung-bae, talvez seja o mais corrupto de todos, o personagem é muito bem retratado pelo sempre ótimo Hwang Jung-min. Um verdadeiro gangster, pois além de suas conexões com o submundo, Park ainda age como um grande líder de um sindicato criminoso.

Infelizmente, grande parte do contexto político-social retratado em ASURA se perde quando apresentado para um público ocidental, que não está a par da situação política da Coreia do Sul, onde polêmicas de corrupção de políticos são constantes, e esses políticos sempre são apoiados pela polícia. Essa situação delicada na Coreia do Sul é retratada de várias formas em vários filmes daquele país (o excelente INSIDE MEN é outro grande filme que aborda esse tema).
Se você prestar atenção aos detalhes e todo o contexto da cidade fictícia de Anaam verá o retrato desse problema social retratado de uma forma bem legal.

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E sobre a violência? Bom, ASURA é um filme violento! O sangue, embora não seja muito constante na primeira metade do filme, sempre que aparece, é de forma visceral. O diretor Kim Sung-su optou por um tom claro na paleta, isso é normal para obras com bastante presença de sangue. Seja por questões estéticas ou até mesmo para se adequar ao tom à se ser expresso no filme. Se no início ou no meio do filme você se perguntar o por quê da escolha da paleta mais clara, uma vez que a violência não é extrema, espere até chegar o clímax. ASURA tem o clímax mais sangrento de 2016!

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Assim como muitos filmes abordados aqui no Oriente Extremo, ASURA não é um filme para todos, violento, sombrio, sujo e com muitos personagens complexos, e seu contexto político-social não só afasta ainda mais o público mainstream como também pode confundir a real mensagem do filme!

Mesmo um entretenimento de nicho aqui no ocidente, é altamente recomendável para todos dispostos a embarcar em uma jornada na cidade fictícia de Annam onde todos são criminosos em potencial!

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Violência: 04/05

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Nota Final: 04/05
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O modesto retorno dos filmes de ação!

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Se você é fã de ação e cresceu no fim dos anos 90 e início dos anos 2000, com certeza conhece nomes como Jackie Chan, Jet Li, Stallone, Arnold Schwarzenegger, o falecido Bruce Lee e muitos outros! Todos esse nomes figuravam nas locadoras quando você ia para a seleção de filmes de ação. Com o passar dos anos, esses nomes foram perdendo espaço mas seus trabalhos continuam referências até os dias atuais. Me lembro que no fim dos anos 90, sempre que o Van Damme lançava um novo filme, havia fila nas locadoras para alugar um VHS dele, além disso até os filme mais antigos como Dragão Branco (Bloodsport) e Duplo Impacto (Double Impact), filmes relativamente antigos do Van Damme já naquela época, ainda eram difíceis de se encontrar em disponibilidade no fim de semana além de é claro, terem espaços constantemente nas emissoras de canal aberto brasileiro.
Com o fim das locadoras e com Hollywood deixando toda a qualidade da pancadaria para traz (como eu já comentei aqui), os filmes de ação perderam de vez o espaço no meio do público, e apenas os mais devotos continuaram seguindo o cenário da pancadaria cinematográfica.
Nos últimos quatro anos ou mais, os filmes de ação americanos tendem a ser grandes produções conhecidas como Blockbusters, Triple A (AAA), filmes de orçamentos exuberantes que geralmente giram em torno de catástrofes apocalípticas, Transformers, super heróis e muito, muito CGI. No meio de tudo isso, a ação verdadeira se resumiu ao mercado de lançamentos direto para Home Video, que, pelo menos na América do Norte e Europa consegue se manter, em quanto no Brasil é apenas um mercado de nicho!
Em meio a todo esse CGI tivemos poucas obras que fizesse jus ao gênero como o recente Mad Max: Estrada da Fúria, e apesar de ser mais ficção do que ação, o ótimo A Origem (Inception) também figura dentro do gênero. Esse é o cenário mainstream do cinema ‘hollywoodiano’ atual! No circuito B/Home Video, o cenário já é um pouco mais satisfatório e alguns deles serão mencionados aqui!
Se você sente falta dos orçamentos moderados, com astros regulares do cenário que se resumiam a humano vs humano que figurava com outros sub-gêneros como os thrillers e o humor, sem super poderes e fantasia! Bem-vindo, você faz parte do nicho!
Porém, lentamente, esses filmes estão voltando à ter destaque no cenário mainstream americano, inclusive os filmes asiáticos que estão voltando a ter a merecida atenção, como The Raid que fez carreira na América. Isso nos leva à primeira franquia de filmes americano com uma considerável ‘fanbase’ que quero comentar: O IMBATÍVEL! Os filmes estrelados pelo ator Scott Adkins são uma grande adição ao gênero e mesmo em um circuito fechado como o Home Video os filmes vem levantando uma legião de fãs mundo a fora, isso eleva o grau de produções que o ator Scott Adkins poderá participar no futuro mesmo sem se desligar do circuito B. Parte desse sucesso se deve é claro, ao fato de termos lutadores de verdade na frente das câmeras e produtores que sabem o que estão fazendo atrás das câmeras! Diferente de Jason Statham por exemplo, que é outro ator que cresceu de uns anos para cá, Scott Adkins não depende de edições rápidas e cortes pois o ator tem conhecimento em artes marciais e nos entrega o que queremos ver: Ação!
Diante disso, temos outro exemplo de franquia de filmes, dessa vez, fazendo carreira até mesmo no Brasil. John Wick! Apaixonados pela ação, com certeza estiveram no cinema para conferir a segunda parte da franquia no início do ano e com toda a certeza, saíram satisfeitos com o que foi apresentado! John Wick Chapter 2 não só é um dos melhores filmes de ação americanos do século como também é uma das experiências mais divertidas que você terá com filmes atuais. Mas vamos deixar John Wick um pouco de lado por hora, pois quero fazer uma análise mais detalhada da franquia estrelado por Keanu Reeves em uma outra oportunidade.
Vamos voltar à atual situação dos filmes de ação, mas dessa vez, cruzar o oceano e ir para a Ásia! Quem nunca ouviu frases do tipo: “Filmes bons são só os americanos, o resto é LIXO”. Bom, eu já, e muitas vezes! Inclusive ainda ouço tais lamentáveis e ignorantes opiniões até hoje. Tais pessoas nunca irão desfrutar de ótimos filmes recentes como o drama A Criada, o terror atmosférico O Lamento, os gangsters de Outrage e Election além de é claro, ótimos filmes de ação como: O Grande Mestre, Assassino Profissional, Asura, clássicos como Fist of Legend e até mesmo o grande The Raid (Operação Invasão). Quero abordar todos esses filmes futuramente de forma individual pois todos merecem a devida atenção aos detalhes. O fato é que filmes de ação, nunca deixaram de ser produzidos lá do outro lado do mundo, muito pelo contrário, temos astros a todo vapor como Donnie Yen, Tiger Chan, Iko Uwais e claro que astros como Jackie Chan e Tony Jaa ainda continuam na ativa, pouco a pouco reconquistando os fãs desse lado do mundo com suas produções sinceras e bem feitas. Boa parte do reconhecimento de alguns filmes em específico, deve-se ao Netflix. Com a morte das locadoras, o estabelecimento das TVs a cabo e a ascensão do Netflix temos agora um bom acervo, que de pouco em pouco começa a adquirir a atenção que merece. O Grande Mestre, Assassino Profissional, Operação Chromite, Snowpierce, Oldboy e muitas outras grandes produções estão em cartaz na plataforma de streaming. Ainda temos OKJA do diretor Bong Joon Ho vindo no fim do mês com o selo de um filme original Netflix, que inclusive foi exibido no Festival de Cannes desse ano.
Alguns grandes filmes Sul Coreanos exibidos de vez em quando pelos canais SPACE e MAXPRIME e até alguns filmes fazendo carreira nacional como o hit INVASÃO ZUMBI!
Espero que filmes asiáticos continuem a fazer seu retorno para essas bandas e a ter mais destaques nas Américas, pois qualidade não falta… e quanto ao cenário hollywoodiano, espero que John Wick nos leve de volta as produções de ação como realmente deveriam ser!

Policial Violento/Violent Cop (その男、凶暴につき) [1989]

Primeiro filme dirigido pelo mestre da violência estética TAKESHI KITANO que também viria a ser o responsável por revitalizar o gênero Yakuza nos anos 1990.
Kitano já era conhecido no Japão pelo nome artístico de Beat Takeshi onde ele fazia parte de um programa humorístico da televisão japonesa. Em 1989 o diretor Kinji Fukasaku (grande mestre dos filmes da Yakuza, tendo dirigido filmes como Batalhas sem Honra e Humanidade e Alugados pelo Inferno) foi escalado para dirigir este ‘Policial Violento’ mas declinou ao saber que o ator principal (Kitano) tinha apenas dez dias disponíveis para gravar por conta de sua agenda lotada com um programa de TV. Kitano então pegou o cargo de diretor e reescreveu o roteiro, retirando todas as partes de humor, e o transformando em um drama sombrio. Kitano reescreveu o roteiro para não ter sua imagem associada apenas ao mercado humorístico e tal mudança foi o principal acerto da obra.

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O filme que viria a se chamar ‘Violent Cop‘ (Policial Violento no Brasil) teve um sucesso moderado em sua época de lançamento no Japão e também teve um modesto sucesso em sua carreira internacional.  A sinopse: “Kitano interpreta Azuma, um detetive casca grossa no estilo Dirty Harry que usa métodos violentos para combater criminosos. Depois do suicídio de seu amigo Iwaki (um policial envolvido com drogas), e do sequestro de sua irmã por membros da Yakuza, Azuma quebra todas as regras de conduta abusando da violência para obter resultados!”
A obra é composta por um tom sombrio, realista e muito depressivo. Toda a violência não vem de forma coreografada, ela esta presente de forma tão natural que parece ‘real’, as sequências finais por exemplo, são bem gráficas e bem impactantes.
É interessante dizer novamente que esse é o primeiro filme de Kitano, e é difícil de acreditar que tudo foi filmado por um até então ‘diretor amador’. O filme contém alguns cortes abruptos e ângulos de câmera fora do padrão. Inexperiência talvez? Não sei, mas tudo ajuda e muito a criar a atmosfera do filme. Muitos aspectos do filme o tornam uma obra única! Como por exemplo uma perseguição ao som de JAZZ, as cenas gráficas de violência e um final que vai ficar com você por muito tempo!

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Outras peculiaridades da obra são suas tomadas longas. Close-ups não duram mais de 10 segundos em quanto uma cena de caminhada em direção ao frame dura 57 segundos, além de é claro, um personagem silencioso, característica que estaria em outros grandes trabalho de Kitano como ‘Hana-Bi: Fogos de Artifício‘ e ‘SONATINE‘.
O filme não conta com diálogos explicativos ou monólogos porém em nenhum momento as motivações de cada personagem traz dúvida ao telespectador. As sequências violentas são longas, sempre que vemos Azuma espancando uma vítima, seja ela um criminoso ou uma criança, não temos muitos cortes e as cenas não são editadas para esconder a brutalidade, é tudo bem cru!
Brutal talvez seja a palavra perfeita para descrever o desfecho do filme! Tudo que foi construído lentamente durante o longa, chega à um clímax sangrento e trágico. O sentimento de vazio depois que os créditos sobem talvez seja o que mais vai lhe chocar. Em dias que poucas coisas conseguem nos impactar o final de Policial Violento com certeza ficará com você por um longo tempo, trazendo vazio, nó no estômago e uma reflexão profunda e irreversível que geralmente não se está presente em um filme desse porte. Aqui se inicia a carreira de um gênio!

Obs.: Filme não lançado em DVD no país… Infelizmente.